O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, deverá prestar esclarecimentos nesta terça-feira (9), às 10h, à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal sobre as operações realizadas entre o banco público do Distrito Federal e o Banco Master. O depoimento já consta oficialmente na agenda da comissão e ocorre em meio ao aumento da pressão política e institucional em torno do caso.
A audiência ganhou contornos mais rígidos após o presidente da CAE, o senador Renan Calheiros, transformar um convite inicialmente aprovado pelos parlamentares em uma convocação obrigatória. A decisão foi tomada depois que Nelson de Souza sinalizou que só compareceria ao Senado após a divulgação do balanço financeiro do BRB referente a 2025.
Renan criticou a justificativa, argumentando que o banco não divulga balanços desde janeiro e que a condição apresentada poderia adiar indefinidamente os esclarecimentos solicitados pelo Congresso. A oitiva estava prevista originalmente para o último dia 2 de junho, mas acabou sendo cancelada.
Operações sob escrutínio
O requerimento para ouvir o presidente do BRB foi apresentado pela senadora Damares Alves. A parlamentar defende uma análise aprofundada dos impactos das negociações realizadas entre o BRB e o Banco Master, que se tornaram alvo de questionamentos após denúncias envolvendo supostas irregularidades na comercialização de ativos financeiros.
Os senadores pretendem obter informações sobre a estrutura das operações, os mecanismos de controle adotados pela instituição financeira e os possíveis riscos assumidos pelo banco público. Também deverão ser abordadas questões relacionadas à governança corporativa, gestão de riscos e transparência das informações prestadas ao mercado e aos órgãos de fiscalização.
Pressão aumenta sobre o banco
A audiência ocorre em um momento delicado para o BRB. Além das investigações conduzidas por diferentes órgãos de controle, a instituição enfrenta questionamentos sobre sua exposição financeira às operações envolvendo o Banco Master e sobre os critérios utilizados para aquisição de carteiras de crédito posteriormente colocadas sob suspeita.
A CAE tem ampliado sua atuação no caso e já sinalizou que poderá requisitar documentos, informações sigilosas e novos depoimentos de autoridades ligadas ao sistema financeiro. O Banco Central também tem sido cobrado pelos parlamentares a prestar esclarecimentos sobre a fiscalização das operações e os riscos envolvidos.
O depoimento de Nelson de Souza é considerado um dos momentos mais importantes da apuração conduzida pelo Senado e poderá ajudar a esclarecer a extensão dos impactos das operações entre o BRB e o Banco Master, tema que continua mobilizando autoridades, investidores e a opinião pública no Distrito Federal.



















