A decisão da Justiça de ouvir a Cassems antes de analisar os pedidos de suspensão do reajuste da chamada “taxa de cônjuge” aumentou a insatisfação entre servidores estaduais de Mato Grosso do Sul, que questionam a condução financeira da atual gestão da entidade.
O aumento, que eleva a contribuição mensal de R$ 35 para R$ 450, representa um reajuste de 1.185% e tem sido alvo de ações judiciais movidas por sindicatos de diferentes categorias. A primeira cobrança está prevista para esta semana, enquanto a decisão judicial sobre os pedidos de liminar só deve ocorrer posteriormente.
Para representantes dos servidores, o reajuste considerado exorbitante transfere para os beneficiários a conta de problemas financeiros acumulados pela administração da Caixa de Assistência. As entidades sindicais argumentam que uma medida dessa magnitude deveria ser precedida por amplo debate, transparência e apresentação detalhada dos números que justificam a cobrança.
A Cassems afirma que o aumento é necessário para reduzir o déficit gerado pelos dependentes cônjuges. Segundo a entidade, em 2025 a arrecadação com esse grupo foi de R$ 61 milhões, enquanto as despesas assistenciais alcançaram R$ 250 milhões, resultando em déficit de R$ 181 milhões.
Apesar da justificativa apresentada, servidores questionam por que o desequilíbrio financeiro chegou a esse patamar sem que medidas preventivas fossem adotadas anteriormente. A principal crítica recai sobre a gestão da entidade, acusada de não apresentar alternativas graduais ou estratégias capazes de evitar um reajuste considerado excessivo.
A controvérsia ganhou novo capítulo após o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, determinar que a Cassems se manifeste no prazo de 72 horas antes da análise dos pedidos liminares. Em seguida, o Ministério Público Estadual também deverá emitir parecer.
O caso reacende o debate sobre a governança da Cassems e a necessidade de maior transparência na gestão dos recursos dos servidores. Enquanto a entidade sustenta que o aumento é indispensável para garantir a sustentabilidade do plano, beneficiários e sindicatos afirmam que a solução encontrada penaliza diretamente milhares de famílias e expõe falhas administrativas que, segundo eles, deveriam ter sido enfrentadas há mais tempo.
Com a cobrança já prevista para os próximos dias, a expectativa agora se concentra na manifestação da Justiça, que poderá definir os rumos de uma das maiores controvérsias envolvendo a Cassems nos últimos anos.























