Ex-secretário de Esportes abandona disputa por mérito e expõe ponto fraco da gestão Abilio: se o prefeito diz que comandou as principais entregas, também terá de responder pelos problemas que continuam travando outras secretarias
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), entrou em uma disputa pelo protagonismo das obras da Secretaria de Esportes e acabou abrindo uma crise maior do que a que pretendia resolver. Ao afirmar que foi ele quem decidiu e determinou as principais entregas da pasta, o prefeito chamou para si o mérito — mas também abriu espaço para uma cobrança incômoda: se Abilio decide tudo quando dá certo, quem responde quando a Prefeitura não funciona?
A resposta veio de Jefferson Neves, ex-secretário de Esportes e antigo aliado do prefeito. Sem disputar a autoria das obras, Jefferson fez o que politicamente mais incomoda um gestor: devolveu a responsabilidade para quem está no comando.
“Não preciso de mérito, querido prefeito, pode ficar todo para o senhor”, ironizou o ex-secretário. Na sequência, lançou a provocação que expõe a contradição da administração: que Abilio leve para as demais secretarias o mesmo modelo de gestão e as iniciativas que, segundo Jefferson, fizeram a pasta de Esportes apresentar resultados.
A declaração atinge o prefeito em cheio porque transforma uma briga por reconhecimento em uma cobrança sobre a eficiência da Prefeitura. Abilio tentou mostrar que as quadras, campos sintéticos e demais entregas não foram mérito de Jefferson. Mas, ao fazer isso, assumiu também a paternidade política dessas decisões.
E paternidade política tem dois lados: crédito pelas vitórias e responsabilidade pelos fracassos.
O embate revela ainda uma ferida aberta na base política de Abilio. Jefferson deixou o comando da Secretaria de Esportes após o rompimento entre o prefeito e a vereadora Michelly Alencar (União), sua esposa. Desde então, o que antes era parceria virou troca pública de farpas.
Agora, o ex-secretário utiliza justamente a narrativa do prefeito contra ele: se o modelo de gestão do Esporte funcionou porque Abilio “mandou fazer”, como o próprio prefeito afirma, por que a mesma fórmula não estaria produzindo resultados semelhantes nas outras áreas da administração?
A pergunta é simples, mas politicamente devastadora.
Abilio quer o bônus das entregas. Jefferson lembra que existe também o ônus da gestão.
E, no meio dessa disputa, fica a pergunta que interessa ao contribuinte: quem está efetivamente comandando a Prefeitura — e por que, com tantas decisões concentradas no prefeito, ainda existem pastas que seguem sem apresentar o mesmo desempenho que ele próprio usa como vitrine?




















