ponta do iceberg

Filho de Mauro Mendes entra na mira da PF e aparece em 18 empresas com R$ 82 milhões em capital

publicidade

Levantamento do VG Notícias aponta ainda participação indireta em outras nove empresas e 23 processos judiciais que chegam a R$ 316,9 milhões em valores de causa

Aos 28 anos, Luís Antônio Taveira Mendes, filho do ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes, aparece atualmente ligado diretamente a 18 empresas, que juntas possuem aproximadamente R$ 82 milhões em capital social declarado. O empresário também figura como corresponsável em inscrições que somam R$ 11,1 milhões na dívida ativa da União e é parte em 23 processos judiciais, cujos valores de causa chegam a R$ 316,9 milhões.

Os dados foram levantados pelo VG Notícias, a partir do cruzamento de registros públicos da Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e sistemas processuais do Judiciário.

Além das participações diretas, o levantamento identificou vínculos indiretos de Luís Antônio com outras nove empresas, por meio das holdings Sollo Participações S.A., Sollo Energia S.A., Sollo Mineração S.A. e LMX Participações Ltda. Nessas companhias, ele ocupa cargos de direção ou administração, enquanto as holdings aparecem como acionistas.

Filho de Mauro Mendes é investigado na Operação Heritage

Luís Antônio está entre os investigados na Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (6), por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação apura suspeitas relacionadas a um suposto esquema de desvio e ocultação de recursos públicos envolvendo o acordo de R$ 308,1 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi S.A.

Também foram alvo da operação o ex-governador Mauro Mendes, a primeira-dama Virgínia Mendes, o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) Ricardo Almeida, o deputado federal Fábio Garcia, além de Hélio Palma de Arruda Neto, Fernando Robério de Borges Garcia e Francisco de Assis da Silva Lopes. A Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE-MT) também foi alvo de medidas.

Segundo a decisão que autorizou a operação, Luís Antônio é cotista do GS Heritage FIP, ao lado das irmãs Maria Luíza Taveira Mendes e Ana Carolina Mendes Facures. A investigação levanta a suspeita de que recursos públicos possam ter passado por sucessivas estruturas de fundos de investimento antes de chegar a patrimônio privado ligado à família do ex-governador.

Leia Também:  Sérgio Ricardo imprime modelo inédito no TCE-MT e coloca Mato Grosso em destaque nacional

Até o momento, não há condenação contra os investigados, e as apurações seguem em andamento.

Empresas foram criadas antes da entrada do filho de Mauro

O levantamento do VG Notícias mostra ainda que Luís Antônio não participou da criação de todas as empresas às quais está ligado atualmente.

Das 18 companhias nas quais aparece diretamente, 12 foram constituídas com sua participação desde a abertura, enquanto outras seis já estavam em funcionamento quando ele ingressou nos quadros societários ou administrativos.

Um dos exemplos é a Sollo Participações S.A., fundada em 16 de outubro de 2009, quando Luís Antônio tinha apenas 12 anos. Seu nome passou a constar como diretor da empresa somente em dezembro de 2018, nove anos depois da constituição.

Situação semelhante ocorreu na Empresa de Transmissão de Energia do Mato Grosso S.A. (ETEM), criada em fevereiro de 2010. Luís Antônio passou a integrar o conselho de administração da companhia somente em março de 2021.

Na Greencal Extração de Minérios Ltda., fundada em 2012, ele assumiu a função de administrador apenas em 2024.

O mesmo padrão aparece em empresas como Santo Antônio Energética SPE S.A., H2M Geração de Energia SPE Ltda. e VS Energia Ltda., constituídas entre 2019 e 2022 e nas quais Luís Antônio ingressou somente em 2025.

Relações empresariais se espalham por energia e mineração

Luís Antônio ocupa posições de comando em empresas do Grupo Sollo, especialmente nos setores de energia e mineração.

Ele preside a Sollo Energia S.A. e a Sollo Mineração S.A., além de integrar o conselho de administração da ETEM.

Leia Também:  Empresas alvo da PF tinham R$ 39,4 milhões em contratos com a Educação na gestão de Reinaldo Azambuja

De acordo com o levantamento, os quadros societários dessas companhias também incluem Hélio Palma de Arruda Neto e Fernando Robério de Borges Garcia, ambos atingidos pelas medidas determinadas na Operação Heritage.

R$ 11,1 milhões em dívida ativa

Dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) apontam que Luís Antônio aparece como corresponsável em 12 inscrições na dívida ativa da União, abertas em 2023.

O valor total chega a R$ 11.101.193,11.

Segundo o levantamento, as inscrições estão classificadas como “benefício fiscal” e foram negociadas por meio do Sistema de Parcelamento (Sispar), sem ajuizamento até o momento.

Os débitos estão relacionados principalmente a contribuições previdenciárias e receitas vinculadas a empresas do grupo.

23 processos judiciais somam R$ 316,9 milhões

Além das questões empresariais e tributárias, Luís Antônio também aparece como parte em 23 processos judiciais distribuídos entre o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Somados, os valores atribuídos às causas chegam a R$ 316.902.141,62.

Entre os processos está uma ação popular apresentada pelo ex-governador Pedro Taques, envolvendo suposto dano ao erário relacionado a empresas do Grupo Sollo. Distribuída em janeiro de 2026, a ação possui valor de causa de aproximadamente R$ 315,1 milhões.

As demais ações envolvem, em grande parte, pedidos de indenização por danos morais, direito de imagem e disputas relacionadas às empresas do grupo.

Medidas impostas pela Justiça

No âmbito da Operação Heritage, Mauro Mendes, Virgínia Mendes e Luís Antônio estão submetidos a medidas cautelares que incluem recolhimento dos passaportes e proibição de deixar o país.

Também foi determinada a quebra dos sigilos bancário e fiscal, abrangendo movimentações realizadas entre janeiro de 2022 e julho de 2026.

O caso permanece sob investigação e os dados empresariais, tributários e processuais citados na reportagem foram obtidos a partir de registros públicos consultados pelo VG Notícias.

Fonte: VG Notícias.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide

publicidade

Previous slide
Next slide