Grupo ligado a Joci Piccini teria feito aporte inicial para aquisição de direitos creditórios; empresário e empresas da família tiveram bens bloqueados por ordem do STF
O empresário Joci Piccini, vice-prefeito de Lucas do Rio Verde e um dos nomes de maior projeção do agronegócio de Mato Grosso, entrou no radar de uma investigação da Polícia Federal que apura a movimentação de centenas de milhões de reais envolvendo direitos creditórios da antiga operadora Oi.
Piccini e empresas ligadas ao seu grupo empresarial foram atingidos pelas medidas da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal no dia 6 de agosto. Por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), houve bloqueio e sequestro de bens, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal relacionados aos investigados.
Segundo a investigação, empresas pertencentes ao Grupo Piccini teriam sido responsáveis pelo aporte inicial dos recursos utilizados na aquisição dos direitos creditórios da Oi. A compra dos créditos teria sido realizada pelo escritório do advogado Ricardo Almeida, atualmente desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT).
Na decisão que autorizou as medidas cautelares, Flávio Dino apontou que empresas vinculadas ao grupo empresarial foram identificadas como responsáveis pelo aporte inicial destinado à aquisição dos direitos creditórios que estão no centro da investigação.
Crédito de R$ 308 milhões está no centro do caso
A investigação da PF busca reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro desde a aquisição dos créditos até as operações financeiras realizadas posteriormente.
O caso envolve um acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi. Após a negociação, os direitos creditórios foram direcionados a dois fundos de investimento.
Agora, os investigadores procuram esclarecer de onde vieram os recursos utilizados na aquisição inicial dos créditos, quem participou das operações e qual foi o destino dos valores nas etapas seguintes.
A suspeita investigada não significa, por si só, comprovação de irregularidade. As responsabilidades deverão ser definidas a partir do avanço das apurações e das decisões judiciais.
Bloqueio atingiu empresário e empresas da família
Além de Joci Piccini, as medidas determinadas pelo STF alcançaram seu irmão, Hilário Renato Piccini, que morreu em maio deste ano.
Também foram atingidas empresas vinculadas ao grupo familiar, entre elas Amazônia Máquinas, Parecis Bioenergia, Dona Iracema Participações e Araguaia Agrícola.
A PF investiga a origem, a movimentação e o destino dos recursos relacionados aos direitos creditórios, além das operações financeiras realizadas depois da aquisição.
Um império construído no agronegócio
A investigação coloca sob escrutínio um grupo empresarial de grande dimensão econômica e forte presença no agronegócio de Mato Grosso.
Entre os negócios ligados à família Piccini está a Araguaia Agrícola, que possui capital social informado de aproximadamente R$ 368 milhões.
Outro empreendimento associado ao grupo é a RRP Energia, que obteve, em março deste ano, uma linha de crédito de R$ 1 bilhão junto ao BNDES para a implantação de uma usina de produção de etanol de milho em Tapurah.
A Parecis Bioenergia, também ligada à família, anunciou investimentos estimados em R$ 750 milhões para a implantação de uma usina de etanol de milho em Diamantino.
A dimensão dos negócios ajuda a explicar a relevância econômica dos investigados, mas é justamente a origem e a circulação dos recursos utilizados na operação envolvendo os créditos da Oi que passaram a ser examinadas pela Polícia Federal.
Da política ao centro de uma investigação bilionária
Além de empresário, Joci Piccini ocupa o cargo de vice-prefeito de Lucas do Rio Verde e preside a Fundação Rio Verde, instituição responsável pela realização da Show Safra, uma das principais feiras de tecnologia, inovação e negócios do agronegócio brasileiro.
Agora, o nome do empresário aparece em uma investigação federal que mira uma complexa operação financeira envolvendo créditos da antiga Oi, fundos de investimento e um acordo milionário com o Governo de Mato Grosso.
O principal desafio da investigação é justamente seguir o rastro do dinheiro: identificar a origem dos recursos, compreender a estrutura utilizada para a aquisição dos créditos e esclarecer quem se beneficiou das operações posteriores.
Com o bloqueio de bens e a quebra dos sigilos bancário e fiscal, a Polícia Federal terá acesso a informações financeiras que podem ajudar a esclarecer as relações entre empresários, empresas, fundos de investimento e os demais envolvidos na operação.




















