Celina Leão pode fugir de novos debates após primeiro confronto e expõe fragilidade política

Foto: Reprodução/Band

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A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), pode adotar uma estratégia de menor exposição após sair do primeiro debate eleitoral da campanha como principal alvo dos adversários. A possibilidade de evitar novos confrontos diretos, caso se confirme, levanta uma questão incômoda para a candidata: se lidera as pesquisas e afirma ter um projeto próprio para Brasília, por que recuar justamente quando precisa apresentar suas propostas e responder às críticas? 

No debate promovido pela Band Brasília no domingo (9), Celina foi o centro dos ataques dos adversários. Saúde, educação, mobilidade e, principalmente, a crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) foram utilizados para pressionar a governadora. O encontro foi marcado por cobranças sobre problemas da administração e pela tentativa dos adversários de responsabilizá-la pelos resultados do governo que ela passou a comandar.  

A própria governadora resumiu o ambiente como uma espécie de “caça à leoa”. A declaração, entretanto, também pode ser interpretada de outra maneira: em vez de enfrentar o desgaste político, Celina estaria considerando simplesmente sair do campo de batalha. 

Fugir do debate é uma estratégia? 

A possibilidade de reduzir a participação em debates pode até fazer sentido do ponto de vista eleitoral para quem está na liderança. Quanto maior a vantagem, menor seria o incentivo para assumir riscos. O problema é que a estratégia também carrega um efeito colateral evidente: a ausência pode transmitir a imagem de uma candidata que prefere controlar o ambiente a enfrentar perguntas difíceis. 

E esse é justamente um dos pontos mais delicados para Celina. 

O primeiro debate mostrou que os adversários encontraram um caminho comum para atacá-la. O BRB tornou-se o principal flanco da campanha. A crise envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master e a necessidade de um socorro bilionário para a instituição colocaram a governadora sob pressão. O impasse em torno do empréstimo de R$ 6,6 bilhões continua sendo discutido no Supremo Tribunal Federal, que tem nova audiência prevista para 13 de agosto.  

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Nesse cenário, abandonar os debates significaria deixar justamente aos adversários o controle da narrativa. Sem Celina no palco, as críticas continuarão sendo feitas, mas sem que ela tenha a oportunidade de respondê-las diretamente. 

O BRB virou o calcanhar de Aquiles 

O problema para a governadora é que o caso BRB não parece ser um assunto que desaparecerá com o silêncio eleitoral. 

No primeiro debate, os adversários exploraram o episódio como símbolo das dificuldades enfrentadas pela atual gestão. A crise do banco, que já ultrapassou a esfera administrativa e chegou ao STF, tornou-se um dos temas mais sensíveis da campanha. 

A tentativa de Celina de se distanciar de decisões tomadas durante a gestão de Ibaneis Rocha também deverá ser colocada à prova nos próximos confrontos. A governadora foi vice de Ibaneis e assumiu o Buriti após a saída do titular para disputar o Senado. No debate, ela procurou reforçar a ideia de que possui um projeto próprio. 

O problema é que, politicamente, não é simples reivindicar os resultados positivos de uma administração e, ao mesmo tempo, transferir seus problemas para o passado. 

Pressão na saúde e na educação 

O BRB não foi o único ponto vulnerável. 

Na saúde, Celina foi cobrada sobre a falta de insumos e problemas no atendimento da rede pública. Na educação, os adversários exploraram o desempenho do Distrito Federal no ensino médio e os resultados do Ideb. 

As críticas atingem áreas diretamente relacionadas à percepção cotidiana do eleitor. Diferentemente de uma discussão técnica sobre finanças públicas, saúde, educação e transporte são temas que podem ser traduzidos rapidamente em experiências vividas pela população. 

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Por isso, fugir dos debates pode ser uma solução eleitoral de curto prazo, mas também pode reforçar a impressão de que a candidata tem dificuldade para sustentar, sob pressão, as explicações sobre os problemas de sua própria administração. 

Liderança também exige enfrentamento 

Se Celina realmente optar por se ausentar dos próximos debates, a decisão deverá ser analisada para além da conveniência eleitoral. 

Uma candidata que lidera a corrida ao Palácio do Buriti não disputa apenas votos. Disputa também a capacidade de demonstrar preparo para governar, responder a crises e enfrentar adversários. 

Nesse sentido, o recuo pode ser explorado politicamente como sinal de fragilidade e despreparo para o confronto democrático. Não necessariamente porque uma ausência seja, por si só, prova de incompetência, mas porque ocorre justamente depois de um debate no qual a governadora foi submetida a uma bateria de críticas e teve dificuldades para impedir que o BRB dominasse a agenda. 

A política costuma premiar quem consegue controlar a narrativa. Mas, em uma eleição, controle não pode significar fuga. 

Celina pode até preferir a segurança de entrevistas previamente organizadas, discursos de campanha e agendas públicas nas quais tenha maior controle sobre as perguntas. O problema é que o eleitor também precisa saber como ela reage quando não controla o ambiente. 

E foi exatamente isso que o primeiro debate revelou. 

Se a estratégia for realmente desaparecer dos próximos confrontos, os adversários ganharão um palanque adicional: poderão atacar a governadora sem precisar enfrentá-la. E Celina corre o risco de transformar uma tentativa de proteção eleitoral em uma evidência política de vulnerabilidade.

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