O impasse envolvendo o empréstimo de R$ 6,6 bilhões para reforçar o caixa do Banco de Brasília (BRB) aumentou a tensão entre o Governo do Distrito Federal e a União. O GDF acusa o governo federal de demora na condução do acordo, enquanto o Ministério da Fazenda afirma que a postura do Executivo local tem dificultado as negociações.
A disputa chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Luiz Fux conduz as tratativas para tentar destravar a operação. Em ofício encaminhado ao ministro, o Distrito Federal afirmou que, mais de dois meses após a homologação do acordo, ainda não havia uma proposta concreta, concessão do crédito ou cronograma definido pela União e pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, reagiu às críticas. Segundo ele, a cobrança do GDF é “estranha” e a condução do governo local estaria atrapalhando o andamento das negociações. Durigan também afirmou que parte das informações necessárias para a conclusão do processo ainda precisa ser apresentada pelo próprio Distrito Federal.
Crise começou com operações envolvendo o Banco Master
O problema financeiro do BRB está relacionado às operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que movimentaram cerca de R$ 30 bilhões. As transações passaram a ser investigadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes e irregularidades no sistema financeiro.
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso em abril durante as investigações. A apuração aponta suspeitas de operações realizadas sem lastro e falhas nos mecanismos de governança da instituição.
O BRB estima que aproximadamente R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos do Master sejam de difícil recuperação, inexistentes ou considerados “podres”. A situação agravou a necessidade de recomposição do patrimônio do banco e levou a instituição a apresentar um plano de capitalização ao Banco Central.
Nova audiência no STF
Diante do impasse, Luiz Fux marcou uma nova audiência de conciliação para 13 de agosto. A reunião deverá envolver representantes do GDF, do BRB, da Advocacia-Geral da União (AGU), do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do FGC, do Ministério Público Federal e do Banco do Brasil.
O objetivo é tentar estabelecer um caminho para a operação de crédito e definir as responsabilidades de cada instituição no processo.
O GDF considera a liberação dos recursos necessária para recompor o patrimônio do BRB. O plano de capitalização apresentado ao Banco Central, porém, chegou ao prazo de 180 dias sem produzir os resultados esperados para solucionar a crise.
Outra tentativa de reforçar a estrutura financeira do banco também fracassou. A negociação envolvendo a venda de ativos ao fundo Quadra Capital, que previa uma injeção bilionária de recursos, acabou cancelada.
Enquanto o governo federal e o Distrito Federal trocam acusações sobre a demora, o futuro da operação de R$ 6,6 bilhões permanece em aberto. A audiência no STF será o próximo capítulo de uma crise que já ultrapassou os limites do BRB e passou a envolver diretamente União, GDF, Banco Central e o sistema financeiro.




















