Plenário vazio, salários em dia: CLDF enfrenta crise de presença e sessão dura apenas 18 minutos

Foto: Carlos Gandra/CLDF

publicidade

Enquanto o Distrito Federal enfrenta desafios nas áreas de saúde, educação, transporte e segurança pública, a população assiste a um cenário cada vez mais frequente na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF): cadeiras vazias, sessões encerradas por falta de quórum e uma produção legislativa comprometida pela ausência de deputados distritais. 

O caso mais emblemático ocorreu na tarde da última quarta-feira (5), quando uma sessão ordinária durou apenas 18 minutos, tornando-se um retrato do esvaziamento do plenário. O episódio reacendeu críticas sobre o comprometimento dos parlamentares com a principal atividade do mandato: participar das votações e deliberar sobre projetos de interesse da população. 

Sessão relâmpago 

A sessão teve início às 15h15, sob a presidência da deputada Jaqueline Silva (MDB). Apenas três minutos depois, os trabalhos precisaram ser suspensos por falta do número mínimo de parlamentares. 

Às 15h33, o deputado Fábio Felix (PSol) assumiu a presidência apenas para constatar que o quórum continuava insuficiente e declarar encerrada a sessão. 

O resultado foi uma reunião legislativa de apenas 18 minutos, sem deliberações relevantes e sem avanço na pauta acumulada da Casa. 

Dos 23 deputados distritais em exercício, apenas sete compareceram ao plenário: Doutora Jane (Republicanos), Fábio Felix (PSol), Jaqueline Silva (MDB), Martins Machado (Republicanos), Max Maciel (PSol), Robério Negreiros (Podemos) e Rogério Morro da Cruz (PSD). 

Mais uma vez, projetos de interesse público ficaram sem apreciação porque a maioria dos parlamentares simplesmente não estava presente. 

Ausências não são exceção 

Levantamento divulgado pelo portal Brasil de Fato DF mostra que, entre 2025 e o primeiro semestre de 2026, nenhuma sessão plenária contou com a presença de todos os deputados distritais. 

Leia Também:  Deputado aciona MPDFT para investigar negócio entre Celina Leão e empresário do transporte público

Os números revelam um padrão contínuo de esvaziamento do plenário. 

O deputado Daniel Donizet (MDB) aparece como o parlamentar com maior número de ausências no período analisado. Somando 2025 e o primeiro semestre de 2026, acumulou aproximadamente 80 registros de faltas ou afastamentos. Apenas em 2026, deixou de comparecer a mais de 80% das sessões deliberativas. 

Também figuram entre os parlamentares com maior número de ausências: 

  • Paula Belmonte (PSDB): 33 registros em 2026 e 21 em 2025; 
  • Joaquim Roriz Neto (PL): 24 registros em 2026 e 20 em 2025; 
  • Dayse Amarílio (PSB): 23 registros em cada um dos dois anos; 
  • Jorge Vianna (PSD): 25 ausências em 2025 e outras 15 em 2026. 

Os dados evidenciam que o problema não decorre de um episódio pontual, mas de uma rotina que vem se repetindo ao longo da legislatura. 

Salários mantidos e punições raras 

Mesmo diante das constantes ausências, os deputados continuam recebendo integralmente seus subsídios mensais de R$ 33.006,39, na maioria dos casos. 

O Regimento Interno da CLDF prevê desconto de aproximadamente R$ 1,1 mil por falta injustificada, mas a aplicação dessa penalidade é rara. 

Na prática, basta ao parlamentar apresentar uma justificativa por escrito para evitar qualquer desconto. 

As justificativas aceitas são amplas e incluem compromissos externos, reuniões institucionais, entrevistas à imprensa, atividades parlamentares, problemas de saúde e até situações emergenciais. 

Leia Também:  Médicos do Hospital Regional de Samambaia não têm acesso ao histórico do pré-natal de gestantes, aponta denúncia

Esse modelo tem sido alvo de críticas por permitir que ausências frequentes sejam formalmente justificadas sem que a sociedade consiga avaliar efetivamente o cumprimento da atividade parlamentar. 

Ano eleitoral e prioridades 

Nos bastidores da Câmara Legislativa, parlamentares e assessores admitem que a proximidade das eleições de 2026 também influencia o ritmo dos trabalhos. 

Com agendas voltadas para articulações políticas, visitas às bases eleitorais e eventos de campanha, o plenário perdeu protagonismo na rotina de parte dos deputados. 

O resultado aparece nas sessões esvaziadas, na dificuldade para alcançar quórum e no adiamento sucessivo de votações importantes. 

Enquanto isso, propostas aguardam deliberação e debates relevantes deixam de ocorrer por ausência dos próprios parlamentares. 

A conta fica para a população 

A principal função de um deputado distrital é discutir, votar e fiscalizar as políticas públicas do Distrito Federal. Sem quórum, o processo legislativo praticamente paralisa. 

Cada sessão encerrada por falta de parlamentares representa atraso na votação de projetos, requerimentos, emendas e medidas que impactam diretamente a vida da população. 

O episódio da sessão de apenas 18 minutos tornou-se mais do que um constrangimento institucional. Expôs uma realidade que vem se repetindo há meses: um plenário frequentemente vazio, uma pauta acumulada e um Poder Legislativo que enfrenta questionamentos sobre sua efetividade. 

Enquanto os salários permanecem garantidos e as justificativas para as ausências seguem amplamente aceitas, cresce entre os cidadãos a cobrança por maior compromisso, transparência e presença dos deputados nas sessões para as quais foram eleitos.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide

publicidade

Previous slide
Next slide