O chefe de gabinete do presidente argentino Javier Milei, Manuel Adorni, anunciou sua renúncia neste sábado (27), em meio a um escândalo envolvendo investigações sobre seu patrimônio e gastos pessoais. A saída representa um dos momentos mais delicados para o governo Milei desde o início do mandato.
Adorni, que havia sido nomeado chefe de gabinete em novembro de 2025 após atuar como porta-voz da Presidência desde dezembro de 2023, comunicou a decisão por meio de uma carta publicada na rede social X.
“Pela primeira vez desde 10 de dezembro de 2023, vou contra a sua vontade”, escreveu o ex-ministro. “Estou encerrando este capítulo. Saio em paz e com serenidade, mas, acima de tudo, com a consciência tranquila.”
A crise ganhou força após questionamentos sobre viagens particulares realizadas por Adorni com a família, incluindo férias em primeira classe para Aruba durante o período de Natal e um deslocamento em jato particular para o Uruguai durante o Carnaval.
O ex-chefe de gabinete nega qualquer irregularidade e afirma que todo o patrimônio foi constituído antes de ingressar no governo. Segundo ele, todas as despesas das viagens foram pagas com recursos próprios.
“Não cometi nenhum crime e vou provar isso na Justiça”, declarou ao Congresso no fim de abril.
Neste mês, porém, Adorni admitiu em entrevista ao jornal La Nación que manteve recursos não declarados durante anos. Ele informou ter retificado suas declarações patrimoniais de 2023 e 2024 para incluir aproximadamente US$ 500 mil que não haviam sido informados anteriormente.
“Faço um mea culpa por ter arrastado um erro involuntário, e vou pagar tudo o que for devido”, afirmou.
Apesar das denúncias, Milei havia demonstrado apoio público ao aliado. Em entrevista concedida ao La Nación em maio, o presidente declarou que “de jeito nenhum Adorni sairia” do governo e que não pretendia “condenar um inocente”.
A renúncia ocorre em um momento de crescente desgaste para a administração argentina. Além das investigações envolvendo integrantes do governo, o presidente enfrenta dificuldades para conter os efeitos da inflação sobre o poder de compra da população.
Pesquisa divulgada pela consultoria Opina Argentina em maio aponta que 39% dos eleitores mantêm avaliação positiva do governo Milei, índice inferior aos 53% registrados há pouco mais de um ano, indicando queda na popularidade do presidente em meio às turbulências políticas e econômicas.























