Pacientes esperam mais de 11 horas por atendimento em quase todas as UPAs do DF, aponta MPDFT

Foto: Divulgação/Agência Brasília

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Um levantamento do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) revela um cenário preocupante nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Distrito Federal. De acordo com os dados, 12 das 13 unidades monitoradas registram tempo médio de espera superior a 11 horas para o primeiro atendimento médico. 

A situação mais crítica foi identificada na UPA de Brazlândia, onde os pacientes aguardam, em média, 13 horas e 3 minutos para serem atendidos. Já a unidade com o menor tempo de espera, localizada no Recanto das Emas, ainda apresenta uma média de 10 horas e 17 minutos, muito acima do considerado adequado para um serviço de urgência. 

Além da demora inicial, o estudo aponta que o tempo médio de permanência dos pacientes nas UPAs chega a 23 horas e 25 minutos. Na prática, isso significa que mais da metade desse período é consumida apenas na fila de espera pelo primeiro atendimento. 

Protocolo de urgência não é cumprido 

O relatório também aponta falhas no cumprimento da classificação de risco adotada pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Pelo protocolo, pacientes classificados com a pulseira vermelha, que indica emergência, devem receber atendimento imediato, enquanto os de pulseira laranja, considerados muito urgentes, deveriam ser atendidos em até 10 minutos. 

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Entretanto, o levantamento mostra que, em diversas unidades, pacientes dessas categorias chegam a esperar mais de 10 horas, contrariando as diretrizes do próprio sistema. Apenas os pacientes classificados com a pulseira azul, destinada a casos não urgentes, têm o tempo de espera compatível com o previsto pelo protocolo. 

Morte durante espera aumentou pressão sobre o sistema 

A crise ganhou ainda mais repercussão após a morte de um paciente na UPA do Recanto das Emas, no último dia 20 de junho. O homem morreu enquanto aguardava atendimento em uma cadeira de rodas. Testemunhas relataram que houve demora no reconhecimento do óbito, provocando revolta entre pacientes e acompanhantes que estavam na unidade. 

O caso intensificou as cobranças por melhorias na rede de urgência e emergência do Distrito Federal. 

Iges não se manifesta 

Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), responsável pela administração das UPAs, foi procurado para comentar os dados do levantamento e explicar as causas da demora no atendimento, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem. 

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O diagnóstico apresentado pelo MPDFT reforça as preocupações com a capacidade de atendimento da rede pública de saúde do Distrito Federal e evidencia a necessidade de medidas para reduzir o tempo de espera e garantir atendimento adequado aos pacientes em situação de urgência.

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