Além da chefe do Legislativo, diretora-geral da Casa também é investigada após receber mais de R$ 33 mil em pagamentos de viagens
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um Procedimento Preparatório para investigar supostas irregularidades no pagamento de diárias a vereadores e servidores da Câmara Municipal de Porto Murtinho. A apuração tem como foco possíveis gastos excessivos de recursos públicos com viagens custeadas pelo Legislativo.
A investigação teve início após o recebimento de uma denúncia anônima que apontava o pagamento de diárias sem a devida comprovação da prestação dos serviços relacionados às viagens.
De acordo com os documentos do procedimento, a presidente da Câmara Municipal, Sirley Pacheco (PP), recebeu R$ 92.414,37 em diárias, distribuídas em 56 pagamentos, até setembro de 2025.
A denúncia também aponta que a diretora-geral da Câmara recebeu R$ 33.004,49, referentes a 42 diárias no mesmo período.
As apurações são conduzidas pela promotora de Justiça Dafne Prado Sabag, que inicialmente requisitou à Câmara informações detalhadas sobre o total gasto com diárias durante o exercício de 2025.
Em resposta, a Câmara Municipal solicitou prorrogação do prazo para entrega da documentação, alegando que havia 223 protocolos cadastrados no sistema, além do grande volume de arquivos necessários para a extração das informações. O pedido foi acolhido pelo MPMS, que concedeu mais 15 dias úteis para o envio dos dados.
A documentação foi encaminhada ao Ministério Público em 28 de abril de 2026. Após análise do material, a promotora concluiu que as informações apresentadas eram insuficientes para esclarecer os fatos e determinou a conversão da Notícia de Fato em Procedimento Preparatório, etapa que permite aprofundar a investigação.
Segundo o despacho ministerial, o objetivo da nova fase é “averiguar gastos exorbitantes de dinheiro público com pagamentos de diárias para vereadores e servidores da Câmara Municipal de Porto Murtinho”.
O MPMS deverá analisar a legalidade dos pagamentos, a efetiva realização das viagens, a documentação comprobatória e a compatibilidade entre as diárias recebidas e as atividades desempenhadas pelos beneficiários.
Até o momento, a instauração do procedimento não representa conclusão sobre eventual irregularidade ou responsabilização dos investigados, mas busca reunir elementos para verificar se houve uso indevido de recursos públicos.





















