Criação de Centro de Criminalística da PMDF gera disputa institucional com a Polícia Civil do DF

Foto: Divulgação/ PCDF

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A criação do Centro de Criminalística da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) desencadeou uma disputa institucional entre a corporação e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O impasse teve início após a publicação do Decreto nº 48.835, de 25 de junho de 2026, que instituiu a nova unidade responsável pela realização de perícias e exames técnicos voltados às investigações internas da PM. 

Enquanto a Polícia Militar afirma que a medida apenas organiza e especializa atividades já desempenhadas em Inquéritos Policiais Militares (IPMs), entidades representativas da Polícia Civil alegam que o decreto invade atribuições constitucionais exclusivas da PCDF e pode comprometer a segurança jurídica das investigações. 

Competências previstas no decreto 

O novo Centro de Criminalística ficará subordinado ao Departamento de Controle e Correição da PMDF e terá como atribuição planejar, coordenar e executar atividades de criminalística e perícia criminal militar. 

Entre as competências previstas estão a realização de exames balísticos, papiloscópicos, documentoscópicos, grafotécnicos e perícias em equipamentos eletrônicos e mídias digitais, além da elaboração de normas relacionadas à cadeia de custódia e à preservação de provas materiais. 

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A criação da estrutura despertou preocupação entre policiais civis, que defendem que essas atividades integram a função constitucional da Polícia Civil por meio do Instituto de Criminalística. 

Entidades da PCDF questionam constitucionalidade 

Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) sustenta que o decreto cria uma estrutura paralela de perícia criminal, gerando sobreposição de funções entre as duas corporações. 

Já a presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Distrito Federal (Sindepo-DF), Claudia Alcântara, afirmou que a existência de dois órgãos responsáveis por perícias pode gerar insegurança jurídica e abrir espaço para questionamentos sobre a validade de provas produzidas durante investigações. 

Segundo a entidade, eventuais dúvidas sobre a cadeia de custódia ou sobre a legitimidade dos laudos periciais podem resultar em impugnações processuais, atrasos em investigações e até nulidades judiciais. 

PMDF afirma que atuação será restrita 

Em nota, a Polícia Militar rejeitou as críticas e afirmou que o Centro de Criminalística não substituirá o trabalho desenvolvido pela Polícia Civil. 

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De acordo com a corporação, a atuação do novo órgão será limitada aos procedimentos de natureza militar, destinados à instrução de Inquéritos Policiais Militares e processos administrativos disciplinares. 

A PMDF também informou que não realizará investigações de crimes comuns envolvendo civis e que exames de maior complexidade, como perícias médico-legais, exames de DNA e necropsias, continuarão sendo realizados pelos órgãos oficiais competentes. 

Ainda segundo a corporação, o Código de Processo Penal Militar prevê a realização de perícias por oficiais da ativa, e o efetivo conta com profissionais especializados e capacitados para exercer essas funções. 

Caso pode chegar à Justiça 

A controvérsia deve ultrapassar o campo administrativo. O Sinpol-DF informou que já acionou o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) para analisar os impactos da criação da nova estrutura e estuda medidas judiciais para suspender os dispositivos do decreto relacionados às atividades periciais.

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