Corrupção

R$ 27 milhões na mira: TJMS decide liberdade de ex-prefeito e empresários da Operação Gutenberg

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Habeas corpus de ex-prefeito e empresários serão analisados pela 2ª Câmara Criminal; investigação do Gaeco aponta esquema de R$ 27 milhões envolvendo contratos de livros com prefeituras de Mato Grosso do Sul

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) marcou para o próximo dia 18 de agosto o julgamento de cinco pedidos de liberdade apresentados por réus da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). A investigação aponta um esquema que teria movimentado cerca de R$ 27 milhões em recursos públicos por meio de contratos firmados com prefeituras de Mato Grosso do Sul.

A sessão será realizada pela 2ª Câmara Criminal do TJMS. Conforme publicação no Diário da Justiça desta quarta-feira (12), os desembargadores vão analisar o mérito dos habeas corpus apresentados pelos investigados.

Entre os pedidos que serão julgados está o do ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o Júnior Vasconcelos, além de empresários e um advogado apontados nas investigações.

Cinco réus terão pedidos de liberdade analisados

Os habeas corpus que entrarão em julgamento são de:

  • Heyder Bartz – empresário apontado como um dos responsáveis pelo gerenciamento do esquema e que está foragido;
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o Júnior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul, preso;
  • Francisco Anízio dos Santos – empresário, preso;
  • Gabriel Taquino de Paula – advogado, preso;
  • Matheus Oliveira Peixoto – empresário, preso.

A decisão da Câmara Criminal poderá manter as prisões ou determinar a soltura dos réus, conforme o entendimento dos desembargadores sobre os argumentos apresentados pelas defesas.

Investigação aponta atuação do clã Jafar

A Operação Gutenberg foi deflagrada pelo Gaeco em 7 de julho e revelou, segundo as investigações, uma estrutura que teria utilizado empresas e intermediários para obter contratos milionários com municípios sul-mato-grossenses para o fornecimento de livros paradidáticos.

O grupo seria comandado pelo clã Jafar, que, conforme o Ministério Público, teria utilizado a Editora Avante, também identificada como Souza & Fanaia Comércio de Livros, para celebrar contratos com administrações municipais.

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Entre os municípios citados nas investigações estão Miranda, Ivinhema, Bonito, Ladário, Angélica e Dourados.

Segundo a apuração, parte das contratações ocorreu por meio de inexigibilidade de licitação. A investigação sustenta que integrantes do grupo preparavam modelos de orçamento e justificativas que seriam encaminhados às prefeituras para viabilizar as contratações.

Dinheiro teria sido pulverizado após pagamentos

Ainda conforme as investigações, depois que os recursos públicos eram recebidos pela empresa, o dinheiro seria distribuído por diferentes mecanismos.

O Gaeco aponta a realização de saques em espécie e transferências para familiares, empresas e pessoas que fariam parte da estrutura financeira do grupo.

Também aparecem na investigação empresas de diferentes setores, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras de bebidas e empresas relacionadas ao comércio de veículos.

O objetivo, segundo a apuração, seria dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.

Grupo teria criado nova empresa após investigação da Lama Asfáltica

A investigação também relaciona a estrutura da Gutenberg à antiga Gráfica e Editora Alvorada Ltda., empresa que já havia sido alvo de investigações relacionadas à Operação Lama Asfáltica.

Após a morte de Mirched Jafar Junior, em 2021, o Ministério Público aponta que integrantes da família teriam passado a utilizar uma nova estrutura empresarial, a Editora Avante, registrada em nome de terceiros.

A empresa teria então ampliado a atuação e firmado contratos com municípios para o fornecimento de livros.

Entre os nomes apontados está Rhayane Souza Fanaia, que, segundo a investigação, teria figurado como responsável formal pela empresa.

Ex-prefeito está entre os presos

O ex-prefeito de Fátima do Sul Júnior Vasconcelos é um dos réus que terão a situação analisada pelo TJMS no dia 18.

Além de ter comandado a Prefeitura de Fátima do Sul entre 2013 e 2016, ele é escrivão da Polícia Civil. A investigação do Gaeco aponta que ele teria participação no esquema investigado.

O julgamento do habeas corpus será uma das etapas mais aguardadas da Operação Gutenberg, especialmente porque poderá definir a situação prisional de parte dos investigados.

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Quem são os réus da Operação Gutenberg

Ao todo, a investigação reúne 16 nomes apontados pelo Gaeco em diferentes posições dentro da suposta organização:

  • Rossana Paroschi Jafar – dentista e empresária, presa;
  • Olívia Paroschi Jafar – médica, em prisão domiciliar;
  • Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado da Agesul, preso;
  • Giovanni Paroschi Jafar – empresário, preso;
  • Rhayane Souza Fanaia – apontada como responsável formal pela Editora Avante, presa;
  • Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação estadual de saúde, preso;
  • Jéssyca Duarte Burgatt – empresária, em prisão domiciliar;
  • Joatan Gomes Peixoto – empresário, em prisão domiciliar;
  • Matheus Oliveira Peixoto – empresário, preso;
  • Francisco Anízio dos Santos – empresário, preso;
  • Douglas Henrique de Melo – empresário, preso;
  • Paulo Rogério de Melo – empresário, preso;
  • Gabriel Taquino de Paula – advogado, preso;
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o Júnior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul, preso;
  • Heyder Bartz – empresário apontado como foragido;
  • Inácio da Silva Espíndola – ex-vereador e ex-servidor comissionado da Casa Civil de Mato Grosso do Sul, que não foi preso.

Julgamento pode definir próximos passos

Com o julgamento marcado para 18 de agosto, o TJMS terá a oportunidade de avaliar os argumentos das defesas dos cinco réus e decidir se eles continuarão presos ou poderão responder ao processo em liberdade.

A Operação Gutenberg segue como uma das principais investigações do Gaeco em Mato Grosso do Sul e coloca sob investigação uma suposta rede que teria conectado empresas, empresários, agentes públicos e contratos municipais, com movimentação estimada em R$ 27 milhões.

Os investigados são acusados de crimes que incluem organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, conforme a participação atribuída individualmente a cada réu. As acusações ainda serão submetidas ao devido processo legal e os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

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