Estudantes deixaram as salas de aula nesta quarta-feira (12), em Campo Grande, para denunciar problemas de infraestrutura e contestar a mudança no sistema de avaliação; mensalidade chega a R$ 20 mil
Acadêmicos do curso de Medicina da Uniderp realizaram um protesto nesta quarta-feira (12), na Avenida Ceará, em Campo Grande, para cobrar melhorias na estrutura da universidade e questionar mudanças recentes nos critérios de avaliação e progressão dos estudantes. A mobilização ocorre em meio à insatisfação dos alunos com as condições oferecidas pela instituição, que possui uma das mensalidades mais altas do país, chegando a cerca de R$ 20 mil.
Antes da manifestação, os estudantes encaminharam uma notificação extrajudicial ao reitor da Uniderp, Cristiano Miranda Cupertino. No documento, eles questionam a forma como foi implantada a Avaliação de Progressão e Proficiência Clínica (APPC) e pedem esclarecimentos sobre os novos critérios.
Segundo os acadêmicos, a mudança foi comunicada após mais de três anos de curso regularmente cumprido. O novo modelo passou a exigir uma nota mínima na APPC como requisito adicional para a progressão, o que, de acordo com os estudantes, pode impedir o avanço regular no curso mesmo quando todas as disciplinas tenham sido aprovadas.
Um dos estudantes afirmou que o objetivo do protesto é chamar a atenção da direção da universidade para a insatisfação com as novas metodologias.
“A faculdade usa de um instrumento desse para aumentar a retenção de alunos, sem de fato dar condições para que os acadêmicos aprendam a prática da Medicina.”
Outro acadêmico criticou a falta de transparência e defendeu a criação de uma regra de transição para os estudantes que já estavam no curso antes da mudança.
“Não estamos contra a implementação, mas a impotência nossa diante da mudança, sem que tenha uma mudança gradual, pois da forma que está parece punitiva.”
Alunos também denunciam problemas na estrutura
Além da mudança no sistema de avaliação, os estudantes reclamam das condições de infraestrutura e dos mobiliários utilizados no curso de Medicina.
As críticas envolvem salas de aula, equipamentos e ambientes utilizados pelos acadêmicos durante a formação. Para os estudantes, a cobrança de uma mensalidade que pode chegar a R$ 20 mil deveria ser acompanhada de uma estrutura compatível com o valor pago.
A situação não é nova. Em julho de 2024, o Ministério Público Estadual ingressou com uma ação civil pública questionando o aumento das mensalidades e cobrando melhores condições para os alunos de Medicina da Uniderp Anhanguera.
Na ação, o promotor Fabrício Proença de Azambuja também pediu o fim das diferenciações entre mensalidades de estudantes e a devolução em dobro de valores que teriam sido cobrados indevidamente.
Segundo informações apresentadas pelo MPE à época, entre os problemas apontados estavam microfones sem funcionamento, equipamentos de Datashow antigos, problemas em aparelhos de ar-condicionado e deficiências nas condições dos banheiros, incluindo a falta de sabonete.
Uniderp afirma que está investindo em melhorias
Em nota, a Uniderp afirmou que mantém um plano de melhorias para o curso de Medicina e que os investimentos incluem infraestrutura, ações acadêmico-pedagógicas e ampliação dos cenários de prática.
Segundo a instituição, as intervenções começam ainda neste mês de agosto e incluem novos laboratórios, espaços de tutoria e auditórios, além da melhoria de outros ambientes utilizados pelos estudantes.
A universidade também informou manter parcerias com a Secretaria Municipal de Saúde, hospitais e outras unidades da rede para garantir experiências práticas aos acadêmicos em diferentes níveis de atenção à saúde.
Sobre a APPC, a Uniderp afirmou que a avaliação acompanha o desenvolvimento dos estudantes e integra adequações acadêmicas realizadas em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais.
A instituição reconheceu que mudanças podem provocar dúvidas e apreensão entre os alunos e afirmou que manifestações e questionamentos não resultarão em qualquer tipo de retaliação.
Ainda conforme a universidade, representantes das turmas se reuniram com a coordenação do curso na última segunda-feira (10) e uma nova reunião está marcada para 18 de agosto. No encontro, os estudantes deverão receber informações sobre o cronograma das obras e os investimentos previstos, além de discutir propostas de melhorias acadêmicas.
As sugestões dos alunos deverão ser protocoladas junto à coordenação até 17 de agosto.
A Uniderp reafirmou, por fim, o compromisso com a qualidade da formação médica, a melhoria contínua da estrutura e o diálogo com os estudantes.

















