Rodovia da morte

BR-163 terá faixa adicional somente em 2032 mesmo após tragédia com quatro mortes

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Trecho onde acidente matou quatro pessoas não será duplicado e só terá faixa adicional a partir do 7º ano da nova concessão

A tragédia que matou quatro pessoas e deixou outras seis feridas em um grave acidente na BR-163, em Mato Grosso do Sul, reacendeu o debate sobre as condições de segurança da principal rodovia do Estado. Apesar da gravidade da colisão, o trecho onde ocorreu o acidente não está previsto para ser duplicado no novo contrato de concessão da rodovia.

No local do acidente, na altura do km 568, entre Bandeirantes e Campo Grande, a previsão é de implantação de faixa adicional somente a partir do 7º ano da concessão, em 2032.

A informação consta do cronograma do novo contrato firmado com a Motiva Pantanal, antiga CCR MS Via. Segundo a concessionária, estão previstas faixas adicionais entre os km 563+900 e 570+800, no sentido norte, e entre os km 570+200 e 571+600, no sentido sul.

A intervenção, portanto, não representa a duplicação do trecho, mas apenas a criação de uma faixa adicional em pontos específicos da rodovia.

Rodovia da morte

O acidente ocorreu na tarde de domingo (16) e envolveu cinco veículos. Segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência, um Chevrolet Onix teria tentado realizar uma ultrapassagem e invadido a pista contrária, colidindo frontalmente com uma carreta carregada com couro.

Após a colisão, o caminhão perdeu o controle e atingiu uma carreta-tanque carregada com óleo diesel. O impacto provocou uma explosão de grandes proporções.

Uma caminhonete branca e outro automóvel também acabaram envolvidos na ocorrência.

Quatro pessoas morreram no local, entre elas o motorista do Onix, Valderlânio Daniel Santos, de 49 anos. Outras três vítimas que estavam em um dos veículos ainda não haviam sido identificadas.

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Seis pessoas ficaram feridas, sendo três em estado grave. A ocorrência provocou um congestionamento de aproximadamente 20 quilômetros, e o tráfego só foi totalmente liberado por volta das 23h40.

A pista simples é apontada há anos como um dos fatores que aumentam o risco de acidentes graves na BR-163, que ganhou o apelido de “rodovia da morte”.

Promessa de duplicação ficou pelo caminho

A situação contrasta com a promessa feita quando a BR-163 foi concedida à iniciativa privada, em 2014.

Na época, o contrato previa a duplicação de praticamente toda a rodovia em Mato Grosso do Sul em um prazo de cinco anos. Entretanto, a antiga concessionária CCR MS Via executou apenas cerca de 150 quilômetros de duplicação.

O novo contrato prevê a construção de mais 203 quilômetros de pista duplicada.

Somando os trechos já duplicados aos que ainda serão construídos, aproximadamente 353 quilômetros da BR-163 em Mato Grosso do Sul deixarão de ser pista simples. Isso representa cerca de 42% dos 847 quilômetros da rodovia que cortam o Estado de norte a sul.

Na prática, aproximadamente 60% da BR-163 continuará sem duplicação.

Pedágio fica mais caro antes das obras

A situação ganha ainda mais repercussão porque a tarifa de pedágio da rodovia sofreu aumento de aproximadamente 41% no dia 5 deste mês.

Enquanto o usuário já paga mais caro para utilizar a estrada, o trecho onde ocorreu a tragédia continuará sem duplicação e, conforme o cronograma informado pela concessionária, terá uma intervenção mais significativa somente daqui a seis anos.

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Em resposta, a Motiva Pantanal afirmou que seguirá o cronograma estabelecido no contrato de concessão aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

“A Motiva Pantanal informa que dentro da atual otimização do contrato de concessão aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em 2025, está previsto conforme cronograma contratual, a implantação de faixa adicional entre os km 563+900 e 570+800, no sentido norte, e entre os kms 570+200 e 571+600, no sentido sul, com conclusão prevista para o 7º ano de concessão, na BR-163/MS”, informou a empresa.

R$ 9,3 bilhões em investimentos

A Motiva Pantanal afirma que o novo contrato prevê R$ 9,3 bilhões em investimentos para modernização, ampliação da capacidade e melhoria das condições da BR-163 em Mato Grosso do Sul.

O ponto de questionamento é que, mesmo com o volume bilionário anunciado, a rodovia não será totalmente duplicada.

Em Mato Grosso, a BR-163 vem recebendo um projeto de duplicação mais amplo, diante da importância da rodovia para o transporte de cargas, a economia e a segurança dos usuários.

Em Mato Grosso do Sul, entretanto, grande parte da estrada continuará operando em pista simples.

A tragédia do último domingo expõe novamente uma realidade conhecida por quem utiliza a BR-163: a necessidade de melhorias é imediata, mas parte significativa das intervenções previstas no contrato ainda está distante de se tornar realidade.

Para quem trafega diariamente pela rodovia, a diferença entre uma obra prevista para agora e uma intervenção programada para 2032 pode significar anos de espera em uma estrada onde acidentes graves continuam fazendo vítimas.

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