As ações do Banco de Brasília (BRB) acumulam uma desvalorização de 62,94% em menos de oito meses, refletindo a crise de confiança enfrentada pela instituição após o escândalo envolvendo o chamado Caso Master e os desdobramentos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
Em novembro de 2025, os papéis do banco eram negociados a R$ 8,15. Atualmente, a cotação está em torno de R$ 3,02, evidenciando a perda de valor da instituição no mercado financeiro.
A deterioração do cenário teve início após o anúncio da tentativa de aquisição de parte do Banco Master pelo BRB, operação estimada em cerca de R$ 2 bilhões. O negócio acabou sendo rejeitado pelo Banco Central, o que ampliou as dúvidas sobre a estratégia da instituição.
Poucos meses depois, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga a negociação de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro entre o Master e o BRB. A investigação resultou no afastamento e posterior prisão preventiva do então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, além da prisão do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Posteriormente, o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira.
Mercado reage à falta de transparência
Economistas avaliam que a forte queda das ações reflete a incerteza dos investidores sobre a real situação financeira do banco.
Entre os principais fatores apontados está o atraso na divulgação das demonstrações financeiras auditadas. O BRB não publica balanços auditados desde junho de 2025, o que dificulta a avaliação da saúde financeira da instituição e aumenta a insegurança do mercado.
Especialistas alertam que a ausência dessas informações compromete a transparência exigida de companhias de capital aberto e pode resultar em sanções regulatórias por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central.
Plano busca recuperar confiança
Na tentativa de estabilizar a instituição, a nova administração do BRB iniciou um plano de reestruturação financeira que inclui a venda de aproximadamente R$ 5 bilhões em carteiras de crédito e a negociação de ativos com garantia do Tesouro do Distrito Federal.
Outra medida em andamento é a capitalização do banco por meio de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), operação prevista em acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Embora a proposta já tenha sido aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), ela ainda depende da aprovação definitiva das instâncias internas do FGC.
Analistas avaliam que a recuperação da credibilidade do BRB dependerá da conclusão das auditorias financeiras, da divulgação dos balanços pendentes e da resolução das investigações judiciais relacionadas ao Caso Master.
Até o momento, o banco não se manifestou oficialmente sobre a desvalorização de suas ações nem sobre o cronograma para publicação das demonstrações financeiras auditadas.























