Ações do BRB acumulam queda de quase 63% em meio à crise provocada pelo Caso Master

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

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As ações do Banco de Brasília (BRB) acumulam uma desvalorização de 62,94% em menos de oito meses, refletindo a crise de confiança enfrentada pela instituição após o escândalo envolvendo o chamado Caso Master e os desdobramentos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. 

Em novembro de 2025, os papéis do banco eram negociados a R$ 8,15. Atualmente, a cotação está em torno de R$ 3,02, evidenciando a perda de valor da instituição no mercado financeiro. 

A deterioração do cenário teve início após o anúncio da tentativa de aquisição de parte do Banco Master pelo BRB, operação estimada em cerca de R$ 2 bilhões. O negócio acabou sendo rejeitado pelo Banco Central, o que ampliou as dúvidas sobre a estratégia da instituição. 

Poucos meses depois, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga a negociação de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro entre o Master e o BRB. A investigação resultou no afastamento e posterior prisão preventiva do então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, além da prisão do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Posteriormente, o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira. 

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Mercado reage à falta de transparência 

Economistas avaliam que a forte queda das ações reflete a incerteza dos investidores sobre a real situação financeira do banco. 

Entre os principais fatores apontados está o atraso na divulgação das demonstrações financeiras auditadas. O BRB não publica balanços auditados desde junho de 2025, o que dificulta a avaliação da saúde financeira da instituição e aumenta a insegurança do mercado. 

Especialistas alertam que a ausência dessas informações compromete a transparência exigida de companhias de capital aberto e pode resultar em sanções regulatórias por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central. 

Plano busca recuperar confiança 

Na tentativa de estabilizar a instituição, a nova administração do BRB iniciou um plano de reestruturação financeira que inclui a venda de aproximadamente R$ 5 bilhões em carteiras de crédito e a negociação de ativos com garantia do Tesouro do Distrito Federal. 

Outra medida em andamento é a capitalização do banco por meio de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), operação prevista em acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Embora a proposta já tenha sido aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), ela ainda depende da aprovação definitiva das instâncias internas do FGC. 

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Analistas avaliam que a recuperação da credibilidade do BRB dependerá da conclusão das auditorias financeiras, da divulgação dos balanços pendentes e da resolução das investigações judiciais relacionadas ao Caso Master. 

Até o momento, o banco não se manifestou oficialmente sobre a desvalorização de suas ações nem sobre o cronograma para publicação das demonstrações financeiras auditadas. 

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