Extensa ficha com acusações diversas não impediu ex-deputado de receber alta quantia para sua campanha de vereador na capital
A direção do PL em Campo Grande é alvo de muitas críticas de filiados nas redes sociais, segundo eles, devido à falta de critério na distribuição de recursos do fundo eleitoral, abastecido com dinheiro público.Dois casos vieram à tona nos últimos dias, reforçando argumentos sobre privilégios dados a alguns candidatos a vereador, como à Ana Portela, filha do presidente do PL em Campo Grande, Tenente Portela (ver aqui). Ela recebeu R$ 300 mil, quando a maioria dos concorrentes pelo partido embolsou, em média, R$ 30 mil, R$ 40 mil e R$ 50 mil.
Agora surge novo caso. A agremiação destinou R$ 300 mil ao ex-deputado federal Loester Trutis, amigo de Portela, cuja extensa ficha com irregularidades e acusações de crimes diversos não foi obstáculo para o repasse de quantia significativa.

Ao MS em Brasília, Portela argumentou que os repasses têm sido feitos pela direção nacional e que ele tem pouca ingerência. No entanto, coincidentemente, as duas maiores transferências de recursos do fundo eleitoral foram feitas à filha e a um amigo com extensa ficha de irregularidades.
Ao MS em Brasília, Portela argumentou que os repasses têm sido feitos pela direção nacional e que ele tem pouca ingerência
O ex-deputado, por exemplo, responde ação penal por ter forjado o próprio atentado, que teria ocorrido em fevereiro de 2020 (ver aqui) . É réu por falsa comunicação de crime, porte ilegal de arma e disparo de arma de fogo. As penas máximas para esses crimes, somadas, atingem a oito anos e seis meses.
O político responde ainda a outro processo por porte ilegal de armas e munições (ver aqui), além de ter sido condenado a pagar R$ 15 mil por danos morais ao delegado de Polícia Federal Glauber Fonseca de Carvalho Araújo (ver aqui).
Em 2022, um grupo de mães de crianças com deficiência física e intelectual denunciou Trutis e a esposa dele, Raquelle Lisboa, por uso de imagens delas na campanha. O casal publicou vídeo sobre a criação de entidade fictícia para ajudar no tratamento das crianças, o que foi desmentido pelas famílias (ver aqui, aqui e aqui).
Privilégio em 2022
O privilégio do PL a Trutis, por exemplo, também ocorreu em 2022, quando ele e sua mulher receberam R$ 1 milhão cada. O valor foi quatro vezes maior que o repassado aos demais candidatos a deputado federal, disputado por Trutis, e a estadual, por Raquelle.
A Procuradoria Regional Eleitoral, à época, encontrou inconsistência na prestação de contas do casal, afirmando que elas “estavam gravemente comprometidas devido à falta de comprovação das despesas” (ver aqui).
O órgão pediu que Trutis e a esposa devolvessem mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos, mas o plenário do Tribunal Regional Eleitoral derrubou o pedido sem aguardar o fim das investigações (ver aqui). Eles não foram eleitos.
A Procuradoria Eleitoral pediu que Trutis e a esposa devolvessem mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos
Loester Trutis só disputa a eleição porque o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul conduz com morosidade o processo em que ele responde pelo suposto atentado. A ação foi encaminhada ao TJ/MS pelo Supremo Tribunal Federal em fevereiro de 2023 (ver aqui).
Em agosto de 2022, o STF aprovou por 11 a 0 a abertura de processo contra Trutis por esse fato (ver aqui). A decisão atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República com base nas investigações da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul.





















