Provisão bilionária expõe falhas de governança, aprofunda crise no banco estatal do DF e amplia pressão sobre a gestão do BRB
O Banco Central (BC) determinou que o Banco de Brasília (BRB) faça o provisionamento de R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas decorrentes da compra de carteiras de crédito consideradas fraudulentas do Banco Master, instituição liquidada extrajudicialmente em novembro de 2025. A exigência foi formalizada em 7 de janeiro de 2026 e coloca o banco estatal do Distrito Federal sob forte pressão regulatória.
As irregularidades foram identificadas durante a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura a venda de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado sem lastro, ligadas ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo as investigações, os ativos não correspondiam a operações reais e careciam de garantias adequadas.
Apesar do volume envolvido, o BRB conseguiu recuperar aproximadamente R$ 10 bilhões por meio da transferência de outros ativos antes da liquidação do Banco Master. Ainda assim, restou um déficit de R$ 2,6 bilhões, agora objeto da provisão exigida pelo BC para resguardar a estabilidade contábil da instituição.
Em nota, o BRB afirmou manter operações regulares e solidez financeira, destacando patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões. O banco estuda a venda dos ativos recuperados e, se necessário, um plano de recomposição de capital, que pode incluir aportes do Governo do Distrito Federal, seu acionista controlador.
As relações entre BRB e Banco Master se intensificaram a partir de julho de 2024, culminando na tentativa frustrada de aquisição de participação societária em março de 2025, negada pelo Banco Central. O BRB afirma que conduz investigação interna independente e que o valor final da provisão ainda poderá ser discutido tecnicamente com a autoridade monetária.























