Distrito Federal

Polícia Federal investiga possível gestão fraudulenta no BRB por rombo bilionário

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Operações com o Banco Master e compra de carteiras inexistentes estão no centro do inquérito

A Polícia Federal (PF) instaurou, nesta terça-feira (3), um inquérito criminal para apurar suspeitas de gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB). A investigação foca em transações realizadas com o Banco Master, que teriam envolvido a compra de carteiras de crédito inexistentes e gerado um prejuízo estimado em R$ 4 bilhões à instituição pública.

O esquema das “carteiras inexistentes”

De acordo com as apurações, o Banco Master teria vendido ao BRB aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que não existiam. Essa manobra teria sido uma tentativa de evitar a falência da instituição privada, que enfrentava uma grave crise de liquidez na época. No total, estima-se que o BRB tenha injetado cerca de R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre os anos de 2024 e 2025.

A Polícia Federal investiga se a cúpula do BRB adquiriu esses ativos de alto risco tendo pleno conhecimento das fragilidades dos títulos e dos problemas financeiros do banco de Daniel Vorcaro. Estão sob análise eventuais falhas deliberadas nos processos internos de governança, análise de risco e aprovação dessas operações.

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Tentativa de compra e interferência do Banco Central

Ao longo de 2025, o BRB, que é controlado pelo governo do Distrito Federal, tentou adquirir uma participação no Banco Master por diversas vezes. Embora a iniciativa contasse com o apoio do governo local, as transações foram sucessivamente barradas pelo Banco Central.

Em novembro de 2025, o cenário se agravou quando foi decretada a liquidação extrajudicial do Banco Master. Na ocasião, dirigentes do BRB foram alvos de mandados de busca e apreensão. O então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo por suspeita de envolvimento em irregularidades e, posteriormente, demitido de forma definitiva.

Desdobramentos e auditoria

A abertura deste novo inquérito é mais um desdobramento das investigações que cercam a queda do Banco Master. Atualmente, além do inquérito da PF e das fiscalizações do Banco Central, a nova gestão do BRB e uma auditoria independente trabalham na análise das transações suspeitas. Até o momento, as conclusões oficiais dessa auditoria ainda não foram divulgadas.

Procurado para comentar a abertura do inquérito nesta terça-feira, o BRB não emitiu resposta imediata. O caso segue sob sigilo e novas fases da operação podem ocorrer à medida que os dados colhidos pela PF e pelo Ministério Público sejam processados.

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