O ex-governador de Mato Grosso e ex-senador Pedro Taques foi convocado a prestar depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado (CPICrime) do Senado Federal. O requerimento foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira no dia 4 de março e busca esclarecer denúncias de fraudes em contratos de crédito consignado que teriam prejudicado cerca de 14 mil servidores públicos estaduais.
De acordo com o pedido, as irregularidades teriam ocorrido em operações intermediadas pelo Banco Master e pela empresa Capital Consig, responsáveis pela estruturação e viabilização dos contratos investigados.
Segundo o documento apresentado à CPI, Taques passou a representar entidades sindicais de servidores estaduais que denunciaram possíveis irregularidades no sistema de consignados operado em Mato Grosso. As denúncias indicam que os contratos teriam causado prejuízos financeiros significativos aos servidores.
“Conforme amplamente noticiado pela imprensa mato-grossense ao longo de 2025, Taques afirmou haver fortes indícios de fraudes em contratos firmados com a empresa Capital Consig, que teriam causado prejuízos financeiros estimados a cerca de 14 mil servidores públicos estaduais”, diz trecho do requerimento apresentado ao Senado.
Representações em órgãos de controle
Na condição de advogado dos sindicatos, Taques protocolou representações em diversos órgãos de controle e fiscalização, incluindo o Ministério Público Federal, o Ministério Público de Mato Grosso, o Tribunal de Contas do Estado e o Banco Central.
O senador Alessandro Vieira argumenta que a experiência política e jurídica do ex-governador pode contribuir para o avanço das investigações.
“Seu histórico como senador, governador e ex-integrante do Ministério Público proporciona uma visão privilegiada e técnica sobre os mecanismos de funcionamento do Estado e as formas de interação entre o sistema financeiro e a administração pública”, justificou o parlamentar.
Operação da Polícia Federal
A convocação ocorre no contexto da Operação Compliance Zero, que apura possíveis atividades ilícitas relacionadas ao grupo controlador do Banco Master.
Entre os pontos que a CPI pretende esclarecer está como a instituição financeira conseguiu operar grandes carteiras de crédito consignado, muitas vezes em cenários de fragilidade regulatória ou com estratégias de captação consideradas agressivas e que agora são apontadas como potencialmente fraudulentas.
Os senadores também querem saber se houve uso de influência política para manter contratos considerados prejudiciais ao interesse público e se a gestão dessas carteiras de crédito teria sido utilizada para ocultar recursos de origem ilícita.
Próximos passos da CPI
Além de ouvir o ex-governador, a CPI pretende aprofundar a investigação sobre o funcionamento do sistema de crédito consignado envolvendo servidores públicos e identificar possíveis falhas nos mecanismos de compliance das instituições financeiras.
A comissão também estuda propor mudanças legislativas para impedir que operações de crédito com desconto em folha sejam utilizadas por organizações criminosas ou resultem em prejuízos a servidores públicos.






















