Distrito Federal

Crise no DF: Movimento do PL expõe fragilidade da base de Ibaneis Rocha em meio a pressão por CPI do Master-BRB

publicidade

A base política do governador Ibaneis Rocha (MDB) vive seu momento mais delicado desde o início do atual mandato. A possibilidade real de o Partido Liberal (PL) desembarcar do bloco governista para apoiar investigações sobre a operação envolvendo o Banco Master e o BRB acendeu um alerta no Buriti e expôs fissuras que o governo vinha tentando minimizar.

A crise ganhou força após a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), presidente da sigla no Distrito Federal, ter assinado o pedido de instalação de uma CPI no Congresso Nacional sobre o caso. Seu gesto foi interpretado dentro e fora do partido como uma sinalização clara de que os parlamentares distritais do PL estão liberados para fazer o mesmo na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Hoje, a oposição na CLDF  formada por PT, PSOL e PSB  já contabiliza sete das oito assinaturas necessárias para abrir a investigação. O apoio do PL seria, portanto, o voto de desempate para a instalação da CPI, mesmo com 17 dos 24 deputados distritais integrando a base do governo.

Ibaneis tenta conter erosão política, mas movimento do PL expõe desgaste

Ao longo dos últimos meses, Ibaneis vinha tentando manter o PL como aliado em meio às tensões eleitorais que se desenham para 2026. O governador mira uma das vagas ao Senado e disputa espaço dentro do partido com Bia Kicis  que também é pré-candidata — e com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, tratada como favorita para a primeira vaga da sigla.

Leia Também:  Suposto esquema financeiro coloca empresários de MS sob investigação federal

A decisão de Bia Kicis de apoiar a CPI, porém, revelou um desgaste político crescente e, sobretudo, uma perda de controle do governador sobre parte de sua própria coalizão. Pessoas próximas à deputada afirmaram à Folha que ela manifestou que sua assinatura reflete seu pensamento pessoal, mas, na prática, isso abre caminho para que os deputados distritais do PL rompam com o governo em um tema sensível.

Para analistas políticos, o episódio evidencia dificuldades de articulação de Ibaneis, que já vinha enfrentando críticas por centralizar decisões e por não conseguir administrar conflitos internos entre aliados especialmente em um momento em que o governo é pressionado por denúncias relacionadas ao Master-BRB.

Três CPIs pressionam o governo, mas DF vira o epicentro da crise

Hoje, três pedidos de CPI sobre o caso tramitam em diferentes esferas:

  • Senado: o requerimento do senador Eduardo Girão (Novo-CE) já alcançou as 34 assinaturas necessárias.

  • Câmara dos Deputados: a proposta de Rodrigo Rollemberg (PSB) tem 118 assinaturas — ainda longe das 171 mínimas.

  • CLDF: falta apenas uma assinatura, justamente a que pode vir do PL, para que a investigação seja instalada.

Leia Também:  Deputados aprovam incentivo financeiro para compra inicial de arma de fogo

O Distrito Federal, portanto, tornou-se o ponto de maior tensão. Caso o PL confirme o rompimento e apoie a CPI local, Ibaneis enfrentará sua primeira grande derrota política da legislatura  uma derrota que ele tenta evitar a todo custo.

Governador enfrenta risco real de isolamento

A movimentação do PL indica que Ibaneis Rocha não apenas perdeu parte da influência que exercia sobre o partido, mas também pode estar sofrendo desgaste perante sua própria base. A ameaça de uma CPI instalada por iniciativa de ex-aliados demonstra que o governador se vê hoje menos blindado politicamente do que gostaria.

Para um governo que sempre se orgulhou de manter uma ampla maioria na CLDF, o simples fato de estar a uma assinatura de uma CPI já representa um sinal significativo de enfraquecimento  e coloca Ibaneis em uma posição defensiva num momento crítico para suas ambições políticas.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide

publicidade

Previous slide
Next slide