Dinheiro Público

Deputados estaduais torram R$ 16 milhões da cota parlamentar com luxo e exageros

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Enquanto a população enfrenta inflação e cortes em serviços públicos, deputados estaduais de Mato Grosso do Sul deram um espetáculo de ostentação com a Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP). Em 2025, os 24 parlamentares gastaram R$ 16,3 milhões — 10,3% a mais do que no ano anterior em despesas que vão muito além do necessário para o funcionamento de gabinetes.

O campeão absoluto de gastos foi Paulo Corrêa (PSDB), primeiro-secretário da Mesa Diretora e ex-presidente da Assembleia, que torrava R$ 695,9 mil. Entre os gastos questionáveis estão churrascarias, locação de carros de luxo, pagamento de 2,6 mil litros de gasolina em uma única nota fiscal e até o salário integral, 13º e férias de um piloto de avião particular.

O vice-campeão, Neno Razuk (PL), condenado por crimes graves, também abusou da verba pública. O parlamentar locou um carro de luxo Pajero Sport por R$ 9,2 mil mensais, enquanto deveria utilizar a cota para atividades parlamentares essenciais. Outro exemplo de desperdício veio do tucano Zé Teixeira, que comprou 2.658 litros de gasolina de uma só vez, suficientes para fazer 131 viagens entre Campo Grande e Dourados ou 22 deslocamentos a Brasília, durante o recesso parlamentar.

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Os gastos mais expressivos foram com divulgação da atividade parlamentar (R$ 205 mil, 29,4%), combustíveis (R$ 182,4 mil, 26,2%) e consultorias (R$ 156 mil). O levantamento do Portal da Transparência da Assembleia Legislativa evidencia um padrão de luxo e ostentação que beira o escárnio diante das necessidades reais da população.

No lado oposto, alguns parlamentares mostraram moderação: o presidente da Casa, Gerson Claro (PP), gastou “apenas” R$ 613,9 mil; a deputada Gleice Jane (PT) utilizou R$ 642,7 mil, evitando que Dourados ficasse marcada apenas pelo escândalo dos colegas; e João Henrique Catan (PL) gastou R$ 652,6 mil.

O cenário é alarmante: todos os deputados gastaram mais de R$ 50 mil por mês, enquanto o país convive com crises de saúde, educação e infraestrutura. A farra com a verba indenizatória revela não apenas desprezo pelo dinheiro público, mas também uma completa desconexão entre representantes e população.

Enquanto alguns poucos parlamentares economizam, o excesso de gastos de outros transforma a CEAP em um verdadeiro festival de luxo e desperdício. A pergunta que fica é: até quando a sociedade aceitará que recursos públicos sejam usados para bancar carros de luxo, churrascos e pilotos particulares?

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