“justo”

Mansão de Papy tem reajuste “amigável” no IPTU enquanto população amarga aumentos

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Enquanto mais de 60% dos contribuintes de Campo Grande foram surpreendidos com reajustes abusivos no IPTU  muitos acima da inflação e chegando a inacreditáveis 396%  a mansão do presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Vicente Silva Neto, o Papy (PSDB), teve um aumento modesto de apenas 5,32% no imposto de 2026. O índice é exatamente o considerado “justo” pela Prefeitura.

A coincidência chama atenção não apenas pelo contraste com a realidade enfrentada pela maioria da população, mas pelo histórico de inadimplência do próprio presidente do Legislativo municipal, que acumula uma dívida de mais de R$ 102 mil em IPTU.

Dívida milionária em impostos e silêncio institucional

Papy adquiriu a residência por R$ 720 mil em 2021, mas o imóvel acumula débitos de IPTU desde 2014, conforme ação de cobrança movida pela própria Prefeitura de Campo Grande. Somente após o caso ganhar repercussão pública, o vereador decidiu parcelar parte da dívida: R$ 94,3 mil divididos em 21 parcelas que se estendem até setembro de 2027.

Além disso, o presidente da Câmara segue devendo o IPTU de 2024 e 2025. Somados juros e multas, apenas o imposto do ano passado já ultrapassa R$ 8,2 mil. Em 2025, o tributo chega a R$ 7,3 mil  sem direito a desconto algum por conta da inadimplência. Ainda assim, o reajuste aplicado ao seu carnê foi irrisório: apenas R$ 368,97.

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Na prática, a redução do desconto de 20% para 10%, que penalizou milhares de contribuintes, é irrelevante para quem simplesmente não paga o imposto.

Câmara se omite enquanto população paga a conta

A contradição se aprofunda quando se observa o papel institucional do Legislativo. Os vereadores têm poder para barrar reajustes acima da inflação sem aprovação da Câmara, como determina a lei municipal. Também poderiam restabelecer o desconto histórico de 20% para pagamento à vista, adotado por cinco décadas e reduzido neste ano pela prefeita.

Apesar disso, a Câmara segue inerte. Papy chegou a anunciar uma sessão extraordinária para discutir o tema, mas recuou sob o argumento de que a Prefeitura teria dificuldades técnicas para recalcular os valores, o que poderia atrasar o calendário do IPTU em até 60 dias. Para o cidadão comum, o atraso nunca é justificativa aceita quando o boleto vence.

Política tributária que pesa sobre os mais pobres

De acordo com a vereadora Luiza Ribeiro (PT), 64% dos imóveis tiveram aumento acima da inflação, impulsionado principalmente pela taxa do lixo. A mudança no Perfil Socioeconômico dos Imóveis (PSEI), promovida pela gestão Adriane Lopes, reduziu a carga tributária sobre imóveis de alto padrão e aumentou o peso sobre bairros periféricos.

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A Associação dos Advogados Independentes chegou à mesma conclusão. O presidente da entidade, Lucas Rosa, cobra transparência nos critérios adotados e defende a suspensão imediata do reajuste.

Dois pesos, duas medidas

A discrepância fica ainda mais evidente quando se observa o IPTU da própria prefeita. A taxa do lixo da mansão de Adriane Lopes caiu 41,1% em 2026. O IPTU total do imóvel teve aumento de apenas 0,76%  um acréscimo de R$ 93,81. Um privilégio distante da realidade de quem teve o imposto multiplicado sem qualquer margem de negociação.

A diferença entre o presidente da Câmara e a maioria da população não está apenas no valor do imposto, mas no cumprimento do dever básico de qualquer cidadão: pagar tributos. Enquanto trabalhadores e moradores da periferia veem seus orçamentos sufocados por aumentos injustificáveis, o chefe do Legislativo municipal, com salário de R$ 26 mil e padrão de vida elevado, posterga pagamentos e ainda se beneficia de reajustes “moderados”.

Em Campo Grande, o IPTU deixou de ser instrumento de justiça fiscal e passou a escancarar o abismo entre quem faz a lei, quem governa e quem paga a conta.

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