PONTA DO ICBERG

Grave suspeita sobre votos que decidiram eleição pode manchar 47 anos de história da Fecomércio

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(Sindicatos que votaram para eleger nova diretoria não foram encontrados nem pelo oficial de Justiça)

Se alguém procurar pelo Sindicto dos Centros de Formção de Condutores de Mato Grosso do Sul (SINDICFC/MS) ou pelo Sindicato do Comércio Varejista de Materiais de Construção de Campo Grande, o Sindiconstru/MS, não vai encontrá-los nos endereços informados pelas fontes convencionais, entre as quais os portais da Internet. Porém, mais categórica é a informação dos órgãos legalmente credenciados, entre os quais o Judiciário: de acordo com o  oficial de Justiça , as duas entidades já não estão neste local há mais de dois anos,o portal Pauta Diária teve acesso na integre do processo através do portal do TRT/MS .

Esta constatação foi lavrado oficialmente no dia 28 de maio deste ano, quando Pache, ao cumprir a determinação judicial, foi aos endereços para levar a intimação aos responsáveis por estes dois sindicatos. Eles fazem parte de um trio de entidades similares que está sendo investigado pela participação nas eleições da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Realizado no dia 12 de maio, o pleito deu a vitória a um empresário da rede hoteleira, Juliano Wertheimer, por 8 a 7, sobre a chapa do atual dirigente, Edison Ferreira de Araújo.

 

 

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INDÍCIOS – Os três sindicatos que votaram em Wertheimer e estão sob suspeita deixaram indícios vigorosos de irregularidades que motivaram o ingresso de uma ação judicial para suspender a posse do vencedor e da eleição. Os advogados sustentam o recurso com diversos documentos, entre os quais as certidões e demonstrativos probatórios da situação irregular dos sindicatos que votaram em Wertheimer.

Numa primeira fase da tramitação recursal o pedido foi negado. No entanto, a expectativa por uma decisão que restabeleça a consistência de um processo livre de questiomentos se reforça na sociedade. Afinal de contas, a enorme gravidade das suspeitas põe no paredão institucional, político e moral uma instituição com 47 anos de existência.

A posse de Wertheimer foi marcada para a próxima terça-feira, 16. Porém, a pendência judicial sobre o resultado das eleições está travando o ato de investidura da nova diretoria, que terá mandato até 2030. Os pedidos de suspensão foram formulados por três sindicatos: Sindisuper, Sindivarejo de Corumbá e Sindivarejo de Três Lagoas. Submetidos ao TRt (Tribunal Regional do Trabalho) da 24ª Região, os votos subjudice precisam ser reconhecidos para que o resultado da eleição tenha validade. Caso contrário, o pleito será anulado.

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DÚVIDAS- Inicialmente, o juiz relator do caso negou a suspensão da posse, embora reconhecendo que a diferença de apenas um voto deixa dúvidas sobre o processo. As dúvidas têm reforços incontestáveis, entre os quais o fato de dois dos sindicatos que votaram em Wertheimer não possuírem um endereço comercial ativo ou não terem nenhum de seus representantes em local certo para responder pela instituição. Isto ergue a suspeita sobre a regularidade ou até a existência jurídica da entidade.

Foi apurado que além de o CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) ficar inativo por cerca de dois anos, os sindicatos sob suspeita não tinham sequer a condição de gerar boletos de contribuição, o que afasta, segundo os autores do recurso, a tese de que se trataria de simples inadimplência sanável por depósito judicial. Na demanda que reivindica a suspensão do processo de investidura de Wertheimer,

“Duas entidades que participaram de uma votação decisiva por ordem judicial não têm sede, não têm representantes localizáveis e não deram sinal de vida no endereço que elas mesmas informaram à Justiça. A certidão de um oficial de Justiça, por definição, tem fé pública”. Ele enfatiza que o principal objetivo com a suspensão de um resultado sob suspeita é preservar a Fecomércio. “Há irregularidade nos sindicatos, portanto, nos votos que eles sufragaram. A medida que buscamos é a solidez histórica e moral do nome e da representatividade da Fecomércio enquanto instituição de relevantes serviços e importância para o estado”.

A posse de um mandato cercado por questionamentos jurídicos tem gerado apreensão e insegurança institucional. Especialistas alertam que a permanência de dúvidas sobre a legalidade do processo pode comprometer a estabilidade da entidade, além de ampliar o clima de incerteza entre os envolvidos e a sociedade que acompanha o caso.

Nos bastidores, denúncias de suposta interferência de grupos influentes e representantes de outras entidades interessados em ampliar seu poder de influência têm aumentado a tensão. As acusações levantam preocupações sobre tentativas de controle político e administrativo, reforçando a necessidade de transparência, respeito à autonomia institucional e rigor na apuração dos fatos.

Nota retorno SindCFC

O SindCFC contesta veementemente qualquer suspeita relacionada a sua idoneidade e esclarece que é falsa a afirmação que “se alguém procurar pelo Sindicato não vai encontrá-lo”.

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Numa simples busca nas redes sociais (@sindcfcms) é possível encontrar o endereço em que o Sindicato está sediado – Rua 7 de setembro 340 – centro, Campo Grande, Brasil 79002-12 – onde há, inclusive, uma placa de identificação na frente, demonstrando que o local é público e de livre acesso.

Uma informação a ser considerada, é que a Fecomércio MS tem ciência deste endereço, pois seu até seu perfil oficial no Instagram é um dos seguidores do perfil do SindCFC.

O SindCFC esclarece ainda que, para que houvesse desfiliação da Fecomércio, alguns procedimentos deveriam ter sido seguidos, entre eles convocação de assembleia de desfiliação, votação de desfiliação; notificação da parte; oferecimento de prazo para recurso; e direito à ampla defesa e ao contraditório, o que não ocorreu.

Portanto, o Sindicato estava apto a votar, conforme a documentação apresentada durante o prazo estipulado pelo processo eleitoral da Fecomércio, e exerceu seu direito, garantido, inclusive, pela Justiça.

Por fim, o SindCFC repudia o denuncismo relacionado a sua idoneidade, sem direito ao contraditório, e questiona o fato da chapa que perdeu as eleições não aceitar o resultado, dando a entender que pretende se perpetuar no poder, além dos 16 anos ininterruptos em que está à frente da Fecomércio.

Nota retorno SindiConstru MS

O SindiConstru MS esclarece que foi intimado pelo TRT MS no dia 8 de junho (segunda-feira), no processo relacionado ao pleito eleitoral para a diretoria da Fecomércio MS.

O Sindicato esclarece ainda que foi fundado em 1994, sendo ativo na sua missão de amparar e representar os profissionais do setor em Campo Grande, conforme pode ser constato em suas redes sociais e site.

O sindicato é filiado à Fecomércio MS, estando apto a participar e votar na eleição para a diretoria da Federação que ocorreu no dia 12 de maio de 2026, tendo sido autorizado, inclusive, pela Justiça.

Reforça ainda que o Juiz analisou todas as provas e concedeu o direito de voto em pé de igualdade aos outros sindicatos e não sub judice, como é alegado pela chapa perdedora.

Importante esclarecer que, caso o voto fosse sub judice, ele seria separado dos demais e se fosse questionado, poderia ser tirado da contagem e o pleito continuaria normalmente, o que não ocorreu, pois a Justiça garantiu o direito ao voto regular.

Sendo assim, o SindiConstru MS estava apto a votar e exerceu seu direito.

 

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