Declarações de prefeito, governador, deputados e pré-candidato ao Senado intensificam clima eleitoral com insinuações, denúncias sem nomes e troca de acusações públicas.
A menos de três meses do início das eleições de 2026, o ambiente político de Mato Grosso já demonstra um acirramento incomum, marcado por acusações graves, insinuações públicas e ataques pessoais, muitas vezes sem a apresentação de provas ou a identificação dos supostos envolvidos.
O tom adotado por lideranças políticas de diferentes partidos tem elevado a temperatura da disputa eleitoral antes mesmo do início oficial da campanha. Nos bastidores, analistas avaliam que esse tipo de estratégia busca mobilizar apoiadores, desgastar adversários e influenciar o debate público em um cenário de forte polarização.
Prefeito fala em deputados e “amantes”
Durante participação na 58ª Expoagro, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que existem deputados estaduais que criticam o agronegócio, embora, segundo ele, sejam sustentados financeiramente pelo setor.
“Tem deputado na Assembleia Legislativa sustentado pelo dinheiro do agronegócio, bancado pelo dinheiro do agronegócio, que é capaz de xingar o agronegócio. Tendo sustentado ele, a família e as amantes com dinheiro do agronegócio.”
O prefeito não apresentou provas nem revelou a identidade dos parlamentares citados. A declaração repercutiu entre adversários políticos, que interpretaram a fala como uma tentativa de desviar o foco de desgastes enfrentados pela administração municipal.
Pivetta insinua “propina de 30%”
Antes de assumir o Governo de Mato Grosso, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) fez declarações que foram interpretadas como direcionadas ao senador Wellington Fagundes (PL), principal adversário na disputa pelo Palácio Paiaguás.
Sem mencionar nomes, Pivetta afirmou que a população não deseja governantes “que peçam 30% de volta” em contratos públicos, sugerindo a existência de uma prática conhecida no Estado.
Dias depois, ao comentar problemas na MT-170, o governador voltou a atacar o senador, desta vez de forma direta, afirmando que o parlamentar estaria “com saudades do que fazia no passado”, em referência ao período em que Wellington exercia influência política sobre o DNIT.
Juarez Costa atribui denúncia a adversário
O deputado federal Juarez Costa (MDB) também entrou na escalada de acusações após ser citado por ex-executivos da Aegea em delações relacionadas à concessão dos serviços de água e esgoto de Sinop.
Segundo os relatos, ele teria recebido R$ 30 milhões e um veículo de luxo em troca de favorecimentos políticos. O parlamentar nega as acusações e afirmou saber quem estaria por trás da divulgação das denúncias.
Sem citar nomes, Juarez atribuiu a movimentação ao ex-prefeito de Sinop, Nilson Leitão (PP), adversário histórico com quem deverá disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026.
Júlio Campos denuncia suposta compra de votos
Outro episódio ocorreu dentro do União Brasil. O deputado estadual Júlio Campos afirmou que empresários estariam oferecendo vantagens a convencionais do partido para influenciar a votação da convenção que decidirá se a legenda lançará candidatura própria ao Governo ou permanecerá aliada ao Republicanos.
Segundo ele, as denúncias chegaram de diversos municípios e, caso sejam confirmadas, o caso será encaminhado ao Ministério Público Eleitoral.
Até o momento, o parlamentar não apresentou provas públicas nem identificou os supostos envolvidos.
Galvan fala em “lei do retorno”
O empresário e pré-candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante) afirmou existir um esquema de devolução de parte dos recursos de emendas parlamentares, prática conhecida como “lei do retorno”.
Segundo Galvan, alguns parlamentares federais exigiriam até 30% dos valores destinados aos municípios.
Apesar da gravidade da acusação, ele declarou que não pretende formalizar denúncia aos órgãos de controle e afirmou que a informação lhe foi repassada por um ex-prefeito que também não revelou nomes.
A declaração provocou reação do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), que classificou a denúncia como “falácia” enquanto não houver identificação dos supostos responsáveis e cobrou que Galvan apresente provas.
Clima de tensão
A sucessão de declarações evidencia o aumento da tensão política em Mato Grosso na corrida eleitoral de 2026. Embora as acusações envolvam temas como corrupção, favorecimento político, compra de votos e uso irregular de recursos públicos, grande parte das manifestações ocorreu sem apresentação de provas ou identificação dos acusados.
Especialistas em direito eleitoral alertam que denúncias dessa natureza, quando desacompanhadas de elementos concretos, podem ampliar a polarização política, gerar desgaste à imagem de adversários e dificultar o debate sobre propostas para o Estado, além de eventualmente resultar em medidas judiciais caso os envolvidos entendam que houve ofensa à honra ou divulgação de informações falsas.




















