Corrupção

Empresário pivô de fraudes milionárias em prefeituras de MS deixa prisão com tornozeleira

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Três foram presos em operação que apura esquema de corrupção envolvendo contratos de tecnologia no interior do Estado

A Justiça em Mato Grosso do Sul revogou a prisão preventiva do empresário Lucas de Andrade Coutinho, preso desde outubro de 2025 na Operação Fake Cloud, do Gecoc/MPMS. Ele tinha tido pedido de liberdade negado em dezembro.

Desta vez, a Vara Única de Itaporã entendeu que a suspeita de que o esquema criminoso seria levado para Corumbá não era concreta e que os crimes investigados foram cometidos em 2022 e 2023. Assim, Lucas sairá da prisão, mas com tornozeleira eletrônica.

Coutinho pagará fiança de R$ 10 mil e deverá comparecer mensalmente em juízo, cumprir recolhimento noturno e não poderá sair da cidade por mais de uma semana.

Na mesma ação, foram presos o empresário George Willian de Oliveira e o ex-secretário municipal de Governo e Gestão Estratégica de Corumbá Nilson dos Santos Pedroso.

Nilson passou para o regime de prisão domiciliar no início de novembro. Já o pedido de George para ser solto foi negado.

Operação contra fraude de licitações para backup de dados em Itaporã

O Gecoc/MPMS, com apoio do Gaeco, cumpriu três mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão no dia 23 de outubro de 2025, em Itaporã, Campo Grande e Corumbá.

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secretário municipal de Governo e Gestão Estratégica de Corumbá, Nilson dos Santos Pedroso, e os empresários George Willian de Oliveira — proprietário da Citiz Tecnologia — e Lucas de Andrade Coutinho foram os investigados.

A investigação identificou um grupo que atuava fraudando, sistematicamente, processos de contratações públicas por dispensa de licitação, voltados ao fornecimento de licença de sistemas de backup de dados em armazenamento em nuvem para a Prefeitura de Itaporã, desde 2022.

Após negociações ilícitas dos empresários com agentes públicos, diversas licitações foram simuladas e direcionadas para beneficiar uma determinada empresa, por meio de propostas fictícias e exigências técnicas, a fim de impedir que outras empresas pudessem disputar.

Os servidores forneciam informações privilegiadas aos empresários, para poder operacionalizar a fraude. Em troca, recebiam vantagens indevidas. O grupo é investigado por organização criminosa, fraude em contratações públicas, corrupção ativa e passiva.

“Fake Cloud”, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como “nuvem falsa” e faz alusão aos objetos dos contratos, o backup de dados em armazenamento em nuvem, o que não era fornecido ao ente público.

‘Mete cinquenta pau’: conversas revelam orçamentos fakes em fraude de licitação

A investigação do Gecoc apontou que o empresário Lucas de Andrade Coutinho é quem fazia a ponte entre o empresário George Willian de Oliveira e o então chefe de Compras da Prefeitura de Itaporã, Nilson dos Santos Pedroso.

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Assim, após definir a fraude com Nilson, Lucas combinava com George os preços falsos para forjarem uma disputa, já que se tratava de licitação por dispensa, ou seja, em que a prefeitura apenas escolhe o menor orçamento entre os valores apresentados.

Dessa forma, conversas de WhatsApp entre os empresários mostram como eles armaram a fraude.

Primeiro, George enviava documento contendo toda a descrição que seria utilizada, posteriormente, pela prefeitura.

Depois, Lucas pedia que George arranjasse outras duas empresas para apresentarem propostas falsas. “Aí você põe o valor ai cara, é… mete cinquenta pau”.

E continuou, especificando quanto cada empresa vai propor: “Pede pro seu amigo mandar uns sessenta e três e quinhentos aqui, e eu vou manda uns cinquenta e oito pela Maiorca [empresa ligada a Lucas], ai você joga cinquenta mil. Põe cinquenta e dois mil e duzentos no seu, George”. E foi a proposta de R$ 52,2 mil de George a vencedora.

JORNAL MIDIAMAX

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