eleições 2026

Escândalos e investigações colocam em xeque projetos de reeleição de deputados de Mato Grosso

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Parlamentares negam irregularidades e apostam na força política e na defesa pública para enfrentar desgaste em ano eleitoral

Quatro parlamentares de Mato Grosso que disputarão a reeleição em outubro deste ano entraram no radar das autoridades em 2026 e agora tentam evitar que as investigações comprometam seus projetos políticos. Os deputados estaduais Valmir Moretto (Republicanos), Elizeu Nascimento (Novo) e Faissal Calil (PL), além do deputado federal Juarez Costa (Republicanos), são alvo de apurações que ganharam repercussão pública e aumentaram a pressão sobre suas campanhas.

Em março, Valmir Moretto passou a ser investigado após a divulgação de um vídeo em que aparece comemorando a vitória de empresas ligadas à sua família em uma licitação para obras de pavimentação. Ao lado do então governador Mauro Mendes (União), o parlamentar afirmou: “Duas da Agrimat e uma minha”, em referência à Oeste Construtora, que está em nome de seu irmão.

A declaração chamou a atenção do Ministério Público, que pediu a abertura de investigação junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O caso tramita sob sigilo e envolve possível afronta ao artigo 54 da Constituição Federal, que proíbe parlamentares de manterem contratos com o poder público.

No fim de abril, o deputado Elizeu Nascimento tornou-se alvo da Operação Emenda Oculta, conduzida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público Estadual. A investigação apura suposto desvio de mais de R$ 7 milhões em emendas parlamentares destinadas aos institutos Social Mato-Grossense (ISMAT) e Brasil Central (IBRACE), com recursos que teriam sido operacionalizados por intermédio da empresa Sem Limites Esporte e Evento Ltda.

Durante o cumprimento de mandados de busca, foram encontrados mais de R$ 150 mil em espécie na residência do parlamentar. Embora o Tribunal de Justiça tenha negado o afastamento de Elizeu do cargo, foram impostas medidas cautelares enquanto as investigações prosseguem.

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Já em junho, a Polícia Federal deflagrou a Operação Gemini, que teve entre os alvos o deputado Faissal Calil. A investigação é um desdobramento da Operação Sisamnes, que apura suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Segundo a PF, Faissal teria atuado como intermediário financeiro do desembargador aposentado Dirceu dos Santos, também investigado. A quebra de sigilo bancário apontou movimentações que ultrapassam R$ 3,2 milhões entre saques e depósitos. O processo também corre sob sigilo.

No mesmo mês, o deputado federal Juarez Costa foi citado em delações de ex-executivos da concessionária de saneamento Aegea. Conforme os relatos apresentados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o parlamentar teria recebido cerca de R$ 30 milhões e um veículo BMW em propina durante o período em que administrava a Prefeitura de Sinop, entre 2009 e 2016. O caso é investigado pelo Naco e pela Polícia Federal.

Todos negam irregularidades

Apesar das acusações, os quatro parlamentares negam qualquer envolvimento nos fatos investigados e afirmam ser vítimas de interpretações equivocadas ou denúncias sem fundamento.

Valmir Moretto sustenta que a empresa mencionada no vídeo pertence ao irmão desde 2018 e atribui a declaração a um hábito de linguagem. O parlamentar também classificou as acusações como uma tentativa de difamação.

Elizeu Nascimento afirmou que os valores encontrados em sua residência correspondem a recursos provenientes de salário, aposentadoria da Polícia Militar e verbas indenizatórias. Em relação às emendas investigadas, alegou que os recursos foram destinados à aquisição de uniformes para escolas militares.

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Faissal Calil, por sua vez, disse que as conversas mantidas com o advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, tratavam exclusivamente de disputas fundiárias em Ribeirão Cascalheira e não possuíam qualquer relação com venda de decisões judiciais.

Juarez Costa negou o recebimento de propinas e questionou o fato de as denúncias terem ganhado repercussão justamente em ano eleitoral. O deputado também insinuou motivação política por parte de adversários.

Reputação pode ser decisiva

Para o jornalista e marqueteiro político Kleber Lima, a maneira como os candidatos reagem às denúncias pode ser determinante para reduzir os danos eleitorais.

“Qualquer dúvida que puder ser utilizada como insumo contra o político é negativa. Uma denúncia, ainda que não seja verdadeira, mas pareça verdadeira para o eleitor, pode ser fatal para o candidato”, afirma.

Segundo ele, políticos que construíram uma relação sólida com seus eleitores tendem a possuir uma espécie de “blindagem natural” diante das acusações.

“Às vezes, a reputação é tão forte que as pessoas rejeitam espontaneamente as denúncias por não acreditarem na possibilidade de que aquele político tenha cometido os fatos apontados”, observa.

Kleber destaca ainda que provar a inocência costuma ser mais difícil do que fazer uma acusação, especialmente porque muitas vezes isso depende de decisões judiciais que podem demorar.

Com aproximadamente quatro meses até as eleições de outubro, os parlamentares terão de trabalhar suas imagens perante o eleitorado mato-grossense enquanto aguardam os desdobramentos das investigações. O cenário, contudo, poderá se alterar caso novos fatos venham à tona ao longo da campanha.

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