Prefeita fez promessas que se esvaziam, como o Hospital Municipal e melhorias na saúde, finanças, transporte e pavimentação
O sintomático silêncio e os comentários genéricos ou evasivos em relação a temas como a CPI do Transporte Coletivo e as falhas gerenciais contatadas no atendimento da Casa da Mulher Brasileira à jornalista vítima de feminicídio podem estar entre os sintomas da perigosa distância criada pela prefeita Adriane Lopes (PP) entre sua gestão e os principais problemas de Campo Grande. A soma de problemas não resolvidos e o grande abismo que engole as finanças públicas está colapsando o ciclo adrianista no poder.
Embora sem responsabilidade direta nesses dois casos, a palavra da prefeita é uma condição fundamental para que os seus responsáveis diretos sejam cobrados publicamente sobre cuidados e providências que não são tomados no transporte e na saúde. A prefeita é a maior autoridade política e administrativa, é líder popular legitimada pelo voto, e tem total autoridade para exercer as cotas que lhe cabem na prevenção e combate à violência de gênero e na melhoria dos serviços do transporte coletivo.
Contudo, Adriane permitiu que seu silêncio, visto como omissão, se misture com os demais vácuos e deficiências que corroem o seu segundo mandato. É um tipo de silêncio interpretado pela sociedade e até aliados políticos como ausência de gestão, cuja principal visibilidade material está em engasgos como o esvaziamento de promessas “vendidas” em campanha com vistoso espalhafato.
PROMESSA NO PAPEL – Uma dessas promessas, a construção do Hospital Municipal, chegou como receita salvadora para curar o precarizado sistema público de saúde. No entanto, seis meses após o lançamento, o projeto permanece sob sono profundo. A projeção ambiciosa foi anunciada no dia 14 de setembro de 2024, com a prefeita em plena campanha pela reeleição, dando conta de um magnífico estabelecimento hospitalar.
A sua construção demandaria custos de R$ 200 milhões, desembolso que seria garantido em uma parceria Público-Privada. A prefeitura pagaria à empresa cerca de R$ 5 milhões mensais durante 20 anos para as despesas com manutenção. A promessa teve uma sinalização alentadora: as obras se iniciariam ainda no mesmo ano de seu anúncio, com encerramento em 360 dias, o que justificava a expectativa de entrega até o final de 2025. Já lá se foram um quarto do exercício e a obra não saiu do papel. Não tem empresa e nem dinheiro para materializá-la.
SISTEMA CAÓTICO – Vale recordar que a prefeitura já vinha sendo duramente criticada pelo caótico atendimento na rede de saúde. Para amenizar as queixas, a prefeita, mesmo ciente da inanição dos cofres públicos, anunciou o hospital argumentando que com ele solucionaria a crise no setor. Uma perspectiva desmentida por fracassos anteriores.
Em julho de 2024 o Ministério da Saúde tirou a Prefeitura de Campo Grande da gestão plena do Hospital Regional e a transferiu para o Governo do Estado. Por causa disso, o Município perdeu cerca de R$ 4,8 milhões que recebia mensalmente – ou, no total, R$ 57,6 milhões no ano. E agora, no último dia 25, o juiz Marcelo Andrade Campos Silva, da 3ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos, deu um prazo de 48 horas para a prefeitura pagar R$ 46,3 milhões à Santa Casa.
Caso o pagamento não seja feito, a demanda pode até provocar o sequestro de recursos municipais, hoje calculados em mais de R$ 46,3 milhões. A ação, ajuizada em 2020 pela mantenedora do hospital durante a pandemia, decorre de um pedido à Justiça para reverter a apropriação ilegal de R$ 13,5 milhões por parte da prefeitura. Na Câmara Municipal, a base da prefeita faz sua defesa, porém não esconde a preocupação com o estágio de fragilidade e inoperância da gestão, um quadro agravado pela diluição da capacidade financeira.




















