Investigação expõe rede de influência política que pode ligar o Palácio do Buriti ao rombo bilionário do Banco Master
O governo do Distrito Federal enfrenta o momento mais delicado de sua gestão com duas frentes de crise que agora começam a se entrelaçar: o escândalo bilionário envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, e a pressão política que ressurge sobre o governador Ibaneis Rocha (MDB), já alvo de antigos pedidos de impeachment. As apurações conduzidas pela Polícia Federal, CVM, Banco Central e Ministério Público Federal têm revelado conexões políticas que colocam o governador no centro do tabuleiro.
O Operacional e o Político Convergindo
A investigação sobre o Banco Master aponta que a instituição teria vendido ao BRB carteiras de crédito inexistentes, movimentando R$ 12,2 bilhões apenas entre janeiro e maio deste ano. O BRB ainda teria transferido um total de R$ 16,7 bilhões ao banco privado em período mais amplo. Segundo o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, o prejuízo efetivo ao BRB pode ter alcançado R$ 8 bilhões, caso se confirme que ativos comprados por cerca de R$ 11 bilhões valiam menos de R$ 3 bilhões.
Por trás desse desequilíbrio, surgem indícios de articulações políticas que teriam aproximado o Banco Master do governo do DF. Cappelli afirmou que Daniel Vorcaro, um dos principais acionistas do Master, teria tido acesso privilegiado ao BRB por meio de interlocução política conduzida pelo senador Ciro Nogueira (PP) — líder nacional do partido da vice-governadora Celina Leão (PP), figura central na administração de Ibaneis.
Influência no Conselho e Falta de Vigilância
As suspeitas se agravaram com o fato de que a CVM tornou réus o Governo do DF e a chefe de gabinete de Ibaneis, Juliana Monici, que ocupava cargo no conselho fiscal do BRB. A presença da principal assessora política do governador em um cargo destinado a fiscalizar operações do banco público reacendeu questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.
A ação popular que questiona sua indicação já apontava que Monici estaria impedida de exercer fiscalização técnica, uma vez que sua função de confiança ligada ao governador criaria dependência política. Com o avanço das investigações, críticos afirmam que a fragilidade na fiscalização do BRB pode ter sido um dos fatores que permitiram a operação com carteiras fraudulentas prosperar.
Celina Leão, PP e o Tabuleiro do BRB
Os relatos de Cappelli ampliaram o cerco político: ele afirmou que o PP teria controle direto sobre a presidência do BRB, justamente o período em que as transações suspeitas com o Banco Master ocorreram. Se confirmada a influência partidária, a ligação recairia sobre a vice-governadora Celina Leão, aliada próxima de Ibaneis dentro da administração.
Embora não haja até agora provas documentais que vinculem Ibaneis diretamente às operações fraudulentas, o fato de o BRB ser um banco público sob controle do GDF, somado à presença de nomes ligados ao governador em funções estratégicas, coloca o chefe do Executivo na linha de questionamento institucional.
Caminhos Políticos Cruzados
O cenário se agrava com o reaparecimento de discussões sobre os pedidos de impeachment apresentados em 2023, após os atos golpistas de 8 de janeiro. Os pedidos acusavam Ibaneis de omissão e conivência na área da segurança pública. Agora, com o rombo bilionário no BRB, opositores argumentam que se desenha um padrão de fragilidade na administração e influência política sobre estruturas técnicas.
Nos bastidores da CLDF, deputados afirmam que a combinação dos dois casos — segurança e finanças — pode criar um ambiente mais favorável para abertura de investigação política caso as apurações da PF conectem responsabilidades administrativas ao gabinete do governador.
Situação do Governo do DF
O GDF tem negado qualquer irregularidade e afirma que o BRB prestou todas as informações ao MPF e ao Banco Central. Ibaneis Rocha ainda não se pronunciou diretamente sobre as acusações de ligação política com o esquema.
Entretanto, dentro e fora dos órgãos de fiscalização, cresce a percepção de que o caso pode evoluir para consequências mais amplas — seja por novas denúncias de improbidade, seja por desgaste político que reacenda debates sobre responsabilidade do governador no comando do banco público.
O Distrito Federal, assim, vê se desenhar uma dupla crise que abala simultaneamente a gestão financeira e a estabilidade política do governo local.




















