Presidente e seu vice, Crosara Jr, são alvos de investigação do Ministério Público Estadual por contratos milionários
Um dos mandatos classistas mais longevos de Mato Grosso do Sul é o de Sérgio Marcolino Longen. Ele preside a poderosa Federação das Indústrias (Fiems) desde 2007. Nestes 19 anos, exercendo um controle autocrático, reelegeu-se sucessivamente e está no quinto mandato. Seu poder é indiscutível, alicerçado pelo peso da indústria na economia.
A indústria representa de 22,3% a 22,9% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul, com valor adicionado de R$ 36,1 bilhões em 2023. É o segundo maior componente da economia estadual. A Fiems é entidade privada, atuante no desenvolvimento industrial e educacional. Não integra a administração pública direta, mas gere verbas de natureza pública, sobretudo contribuições parafiscais.
Estas contribuição são operadas por cinco braços que formam o Sistema Fiems. São eles: Fiems, Ciems (Centro das Indústrias), Sesi (Serviço Social da Indústria), Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e IEL (Instituto Euvaldo Lodi). Conta ainda com 24 sindicatos filiados e conselhos temáticos que debatem políticas para a indústria.
NA MIRA – No entanto, a grandiosidade de Sérgio Longen e da Fiems estão começando a conhecer o peso da fiscalização e do controle institucional. Ele e o vice-presidente Crosara Jr entraram na mira das investigações do Ministério Público Estadual (MPE), que apura supostas irregularidades em contratos milionários que, somados, passam dos R$ 2 milhões. A 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social é que está à frente das investigações.
Na quinta-feira, 26, o vereador Landmark Rios (PT), com apoio da bancada, propôs que a Câmara Municipal cobre informações detalhadas sobre os contratos envolvendo as empresas Multifer e Inovaseg. As duas pertencem à mesma dupla de empresários, um deles o vice-presidente da Federação, Luiz Gonzaga Crosara Júnior. “São irregularidades em vários contratos, tem até o vice-presidente envolvido. A Fiems tem que abrir a caixa preta”, exigiu.
As investigações focalizam contratos firmados com empresas que possuem os mesmos sócios. A sede de uma das empresas investigadas funciona num imóvel residencial (casa fechada) na Vila Planalto, em Campo Grande, sem identificação empresarial. Os recursos empenhados envolvem entidades geridas pela Fiems, entre as quais o Sesi e o Senai. As empresas investigadas alegam problemas de CNPJ e registros.
A empresa Multifer celebrou contratos de R$ 1.097.943,00 com a Fiems. Dona de dois contratos, a Multifer firmou o primeiro em julho de 2022, no valor de R$ 641,9 mil, para fornecer materiais elétricos. O valor final já considerava um aditivo de R$ 127.178,17, autorizado pela Fiems durante a vigência do contrato. Em dezembro, novo contrato, no valor de R$ 455,9 mil foi assinado. O objetivo: fornecer EPIs (equipamentos de proteção individual).
Já em outubro de 2023, a Inovaseg Comercial de Equipamentos e Serviços Ltda e o Senai firmaram contrato de R$ 405 mil para fornecer mais materiais elétricos. As duas empresas, cuja principal atividade é o comércio de ferragens e ferramentas, têm os mesmos sócios: Diego de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa.





















