Alpinismo Político

Miglioli põe mais um cargo em sua coleção de dribles

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Sem aval do União Brasil, ex-candidato que já traiu Solidariedade e PSDB tenta pendurar-se no PP
Em 2018, quando chefiava a Secretaria Estadual de Infraestrutura e concorreu ao Senado pelo PSDB, o engenheiro Ednei Marcelo Miglioli era uma promessa da atual geração de políticos e detinha o apoio e o incentivo do governador Reinaldo Azambuja. No entanto, logo após ser rejeitado nas urnas – ficou em quarto lugar -, responsabilizou o PSDB por sua derrota e desfiliou-se do partido, anunciando que regressaria de vez para São Paulo.
Mudou de ideia e continuou em Campo Grande, tramando para ser outra vez a novidade das urnas na sucessão municipal de 2020. Já inscrito em outro partido, o Solidariedade, ficou muito longe da votação anterior, em um sintomático nono lugar. Em 2022, filiado ao União Brasil –  sua terceira legenda em quatro anos -, arriscou outra aposta eleitoral, sendo reprovado novamente pelas urnas: candidato a deputado federal, foi o 35% colocado, distante das vagas de suplência.
Mesmo com todos estes vexames, Miglioli não desistiu da frenética escalada em busca de ascensão na vida publica. Se não teve a benção das urnas, agora vale apelar por outra opção: um bom emprego na prefeitura. E conseguiu: na última segunda-feira (06), o Diário Oficial de Campo Grande publicou a sua nomeação como secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Publicos, em substituição a Domingos Sahib Neto.
ASPECTOS TÉCNICOS E POLÍTICOS – Esta nomeação tem aspectos administrativose políticos. A decisão da prefeita Adriane Lopes (PP) foi motivada por um fator técnico, considerada a passagem de Miglioli pela Secretaria Estadual de Infraestrutura. Porém, é óbvio que como pré-candidata à reeleição ela não deixaria de projetar para o futuro eventuais ganhos políticos e eleitorais tendo em seu staff um nome de alta graduação e filiado ao União Brasil.
Só que não: sem consultar seus dirigentes e agindo por conta própria, o engenheiro aplicou um drible fazendo no mínimo duas vítimas políticas: a superintendente da Sudeco, a ex-deputada federal Rose Modesto, liderança maior do União no Estado, e a própria prefeita, que provavelmente teria sido instada ardilosamente a acreditar que Miglioli se disporia a usar o cargo e a sua presença na prefeitura como obstáculos poderosos à intenção de Rose de candidatar-se à sucessão local.
SEM AUTORIZAÇÃO – Rose Modesto já deixou bem claro, e objetivamente, que a nomeação de Miglioli não tem autorização do partido, que nem sequer foi consultado. E ela reitera também sua condição de pré-candidata a prefeita, sem que isto signifique qualquer tipo de estremecimento com Adriane Lopes e o PP. Os argumentos do novo secretário, desta forma, seriam peças desarrumadas no mosaico de trapalhadas, traições e suspeitas que vem acumulando ao longo desta curta, mas negativmente prodigiosa trajetória na vida publica de Mato Grosso do Sul.
Como é de conhecimento geral, Marcelo Miglioli saiu derrotado nas urnas em 2018 culpando o PSDB e o governador Reinaldo Azambuja pelo seu fracasso, embora a imagem que tenha construído, sobretudo ao rasgar a ficha tucana, fosse a de traidor. Ele não poderia responsabilizar Azambuja, que lhe deu integral apoio e liberdade para edificar seus passos na política – tanto que, em sua campanha, gerou estranheza e suspeitas por gabar-se de ter o apoio de centenas de vereadores, em adesões até hoje não explicadas.
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