O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Vicente Silva Neto, voltou ao centro das críticas após receber, a portas fechadas, o ex-diretor do Consórcio Guaicurus, Themis Oliveira, apenas duas semanas depois da saída dele do comando do grupo responsável pelo transporte coletivo da Capital.
O encontro ocorreu na manhã desta quinta-feira (14) e foi tratado por Themis como uma simples “visita de amigo”. A justificativa, no entanto, levanta questionamentos diante da crise histórica enfrentada pelo transporte público de Campo Grande e da relação política construída nos últimos anos entre vereadores e empresários do setor.
Themis assumiu o Consórcio Guaicurus justamente no período em que o conglomerado passou a ser alvo de CPI, denúncias sobre ônibus sucateados, atrasos, superlotação e pressão por aumento de subsídios pagos pela prefeitura. Agora, fora do cargo, aparece no gabinete do chefe do Legislativo em reunião reservada.
O episódio reforça a percepção de proximidade entre Papy e os empresários do transporte coletivo. O presidente da Câmara sempre defendeu publicamente mais repasses de dinheiro público ao Consórcio, mesmo diante das constantes reclamações da população sobre a precariedade do serviço.
Somente neste ano, o Consórcio Guaicurus deve receber mais de R$ 70 milhões em subsídios públicos, enquanto passageiros enfrentam ônibus quebrados, demora nas linhas e terminais em situação precária. Ainda assim, vereadores aliados do sistema seguem defendendo novos aportes financeiros às empresas.
Durante a visita, Themis fez elogios públicos a Papy e afirmou que o vereador “faz a diferença em Campo Grande”. A declaração aumenta ainda mais o desgaste político em torno da relação entre integrantes do poder público e representantes do grupo empresarial que domina o transporte coletivo da Capital há décadas.
O encontro também acontece em um momento delicado para o Consórcio Guaicurus. Relatório técnico da Agereg aponta que o grupo não tem condições adequadas de executar o contrato do transporte público e sugere que a prefeitura avalie medidas mais duras, incluindo possível intervenção administrativa.
O documento desmonta o discurso de que apenas reajustes tarifários ou novos subsídios resolveriam os problemas financeiros do sistema. Segundo os técnicos, há “persistência de descumprimentos contratuais” e falhas estruturais graves na operação.
Mesmo diante do cenário crítico, Papy nunca endureceu o discurso contra o Consórcio. Pelo contrário: tem sido um dos principais defensores de mais dinheiro público para as empresas de ônibus, postura que agora volta a ser alvo de críticas após a reunião reservada com o ex-diretor do grupo.
A saída de Themis do Consórcio também foi cercada de contradições. Enquanto ele alegou motivos pessoais e busca por “qualidade de vida”, a própria empresa informou oficialmente que a mudança fazia parte de um processo de “reestruturação interna e governança corporativa”.
Nos bastidores políticos, a visita ao gabinete de Papy aumenta suspeitas sobre a influência do Consórcio Guaicurus dentro da Câmara Municipal justamente no momento em que o sistema de transporte enfrenta uma das maiores crises de sua história.
Com informações site Midiamax






















