CORUMBÁ

Juiz cassa mandato de vereador acusado de compra de votos em Corumbá

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O juiz eleitoral Idail de Toni Filho, da 7ª Zona Eleitoral de Corumbá, cassou o mandato do vereador Matheus Cazarin por compra de votos durante o período eleitoral. Além da perda do mandato, o parlamentar foi condenado ao pagamento de multa no valor de R$ 53.205,00.

A decisão também determina a anulação dos votos obtidos pelo vereador nas eleições municipais, o que deve levar a Justiça Eleitoral a realizar uma nova recontagem para redistribuição das cadeiras na Câmara Municipal de Corumbá. Ainda cabe recurso da sentença.

Irmã do vereador foi flagrada com dinheiro e listas

O pedido de cassação foi apresentado pelo promotor eleitoral Rodrigo Corrêa Amaro após uma ação da Polícia Federal que resultou na apreensão de dinheiro em espécie, recibos e listas contendo dados de eleitores.

Segundo a investigação, a irmã do vereador, Laura Cristinne Vieira Pereira Guedes, foi abordada no dia 25 de setembro em atitude considerada suspeita no município de Corumbá. Durante a ação, policiais encontraram R$ 3.650,00 em dinheiro vivo, dividido nominalmente, além de 172 folhas de recibos preenchidos à mão.

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Também foram apreendidas 79 folhas contendo nomes, endereços, bairros e títulos eleitorais de moradores da cidade.

De acordo com o Ministério Público Eleitoral, o material apreendido indicaria um suposto esquema de cooptação de eleitores em troca de vantagens financeiras.

Ministério Público apontou esquema para obtenção de votos

Na denúncia, o promotor sustentou que os valores registrados nos recibos não correspondiam a despesas legais de campanha.

“No entendimento do Ministério Público Eleitoral, o numerário contido nos recibos não tinha o objetivo de comprovar prestação de serviços eleitorais, mas sim de viabilizar a obtenção direta de votos”, apontou a manifestação.

Ainda segundo o promotor, mesmo que o vereador alegasse não ter realizado pagamentos diretamente aos eleitores, as provas indicariam participação e anuência no esquema.

A acusação afirma que o parlamentar teria articulado a atuação de familiares e lideranças políticas para operacionalizar os pagamentos e registrar os eleitores envolvidos.

Polícia Federal acompanhou movimentação

Conforme o relatório policial, agentes federais observaram duas mulheres saindo de uma residência em um veículo adesivado com propaganda eleitoral de Matheus Cazarin.

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Uma das mulheres teria passado por diferentes endereços antes de ser abordada. Em uma das residências monitoradas, uma pessoa saiu do imóvel e assinou um documento que os policiais suspeitam ser um recibo relacionado aos pagamentos investigados.

Durante a abordagem, a mulher confirmou ser irmã do então candidato e admitiu transportar dinheiro no veículo. Ela afirmou aos policiais que os pagamentos seriam destinados a cabos eleitorais responsáveis por distribuição de panfletos, agitação com bandeiras e postagens em redes sociais.

Segundo o relato apresentado à Polícia Federal, os valores pagos variavam entre R$ 50 e R$ 300.

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