Discurso versus prática

Pantanal sob ataque: desmatamento, grilagem e o discurso oficial em xeque no Mato Grosso do Sul

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Enquanto o governo de Mato Grosso do Sul reforça, em fóruns nacionais e internacionais, o discurso de que é possível “preservar e crescer”, denúncias que chegam a portais de notícias e a órgãos de fiscalização apontam para uma realidade bem diferente no coração do Pantanal sul-mato-grossense.

Na região do Nabileque, uma das áreas mais sensíveis do bioma, há relatos e registros de desmatamento com uso do chamado “correntão” método proibido e altamente destrutivo, que consiste em arrastar uma corrente pesada entre dois tratores para derrubar a vegetação nativa. Segundo denunciantes, extensas áreas teriam sido devastadas recentemente, comprometendo a fauna, a flora e o equilíbrio hidrológico do Pantanal.

As denúncias ganham ainda mais gravidade por ocorrerem em um momento em que o Brasil sediou a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), evento no qual governadores e representantes estaduais têm defendido compromissos ambientais e políticas de sustentabilidade.

Grilagem de terras: 10 mil campos de futebol sob investigação

Além do desmatamento, o Pantanal do Mato Grosso do Sul também está no centro de investigações sobre grilagem de terras públicas. Em três operações distintas realizadas entre outubro do ano passado e este ano, a Polícia Federal identificou a ocupação irregular e fraudulenta de 9.933,23 hectares do bioma o equivalente a aproximadamente 10 mil campos de futebol.

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De acordo com as investigações, as áreas teriam sido apropriadas por meio de documentos falsos, registros irregulares e esquemas que visavam a exploração econômica da terra, sobretudo para criação extensiva de gado. A PF apura a atuação de grupos organizados, com possíveis conexões entre empresários e agentes públicos, embora os nomes dos investigados ainda não tenham sido divulgados oficialmente.

A corrida por terras no Pantanal

Nos últimos anos, o Pantanal sul-mato-grossense passou a atrair grandes investidores do agronegócio. Políticos, empresários e grupos econômicos têm migrado para a região com o objetivo de formar mega fazendas, impulsionados pela valorização da terra e pela fragilidade histórica da fiscalização ambiental em áreas remotas.

Especialistas alertam que a expansão da pecuária intensiva em um bioma alagável como o Pantanal provoca impactos severos, como:

Destruição de áreas de reprodução da fauna;
• Alteração do regime natural das cheias;
• Aumento do risco de incêndios florestais;
• Contaminação de cursos d’água.

“O Pantanal não suporta o mesmo modelo de exploração aplicado em outras regiões do país. Aqui, qualquer intervenção mal planejada gera efeitos em cadeia”, afirmam ambientalistas ouvidos pela reportagem.

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Discurso versus prática

O contraste entre o discurso oficial de sustentabilidade e as denúncias de crimes ambientais levanta questionamentos sobre a efetividade das políticas públicas de proteção ao Pantanal. Organizações ambientais cobram mais transparência, reforço na fiscalização, punição aos responsáveis e o fim da impunidade em casos de desmatamento e grilagem.

Enquanto isso, comunidades tradicionais, ribeirinhos e povos originários seguem denunciando a perda de território, a degradação ambiental e a ameaça ao modo de vida pantaneiro.

O futuro do Pantanal em risco

Considerado o maior sistema de áreas úmidas contínuas do planeta, o Pantanal é patrimônio natural do Brasil e da humanidade. As investigações em curso e as denúncias de desmatamento ilegal mostram que, sem ações concretas e rigorosas, o bioma corre o risco de se tornar mais uma vítima do avanço predatório sobre terras públicas.

A reportagem seguirá acompanhando o andamento das investigações e cobrando posicionamento dos órgãos ambientais e do governo estadual sobre as denúncias envolvendo a região do Nabileque.

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