Decreto publicado em 24 de dezembro expõe prioridades da gestão municipal enquanto hospital enfrenta cortes e população perde atendimento
A Prefeitura de Caarapó decidiu, na véspera de Natal de 2025, retirar quase R$ 1 milhão da área da Saúde para reforçar despesas em outros setores da administração municipal. A medida consta no Decreto nº 296/2025, publicado em 24 de dezembro no Diário Oficial da Assomasul, e escancara uma escolha política que vem gerando indignação: cortar recursos de um setor essencial justamente quando o principal hospital do município enfrenta dificuldades financeiras e redução de atendimentos.
O decreto autoriza a abertura de crédito suplementar no valor de R$ 1.030.000,00 no orçamento de 2025. Desse total, R$ 1.000.000,00 foram destinados à Educação Básica, para despesas com material de consumo, e outros R$ 30.000,00 à Secretaria Municipal de Governo e Administração, para pagamento de obrigações tributárias. Para viabilizar a suplementação, a Prefeitura promoveu anulações de dotações orçamentárias do Fundo Municipal de Saúde.
Na prática, isso significou retirar recursos previstos para pagamento de pessoal, subvenções sociais, aquisição de materiais e contratação de serviços terceirizados da Saúde áreas diretamente ligadas ao funcionamento do sistema público de atendimento. Somente da Saúde, o corte se aproxima de R$ 1 milhão. Outros R$ 30 mil foram anulados em outra secretaria para fechar o ajuste contábil.
A decisão ocorre em meio à crise enfrentada pelo Hospital São Mateus, referência no atendimento à população e pilar do Sistema Único de Saúde (SUS) no município. A redução de repasses já resultou em suspensão ou limitação de serviços essenciais, afetando principalmente os moradores que dependem exclusivamente da rede pública. Ainda assim, a gestão municipal optou por realocar recursos da Saúde para outras pastas, aprofundando um cenário que já é de fragilidade no atendimento hospitalar.
Publicar um decreto dessa magnitude justamente na véspera de Natal — data simbólica associada à solidariedade e ao cuidado com o próximo — reforça as críticas à condução orçamentária da Prefeitura. Mais do que um ato técnico, o remanejamento expõe prioridades: enquanto pacientes enfrentam filas, falta de serviços e insegurança quanto à continuidade do atendimento, a Saúde perde recursos para cobrir despesas administrativas e materiais em outros setores.
Até o momento, a Prefeitura de Caarapó não apresentou explicações públicas sobre os impactos reais desses cortes, nem esclareceu como pretende garantir a manutenção dos serviços de saúde e o funcionamento pleno do Hospital São Mateus. O silêncio da gestão diante de uma decisão que afeta diretamente a vida da população levanta questionamentos legítimos: quais são, de fato, as prioridades do governo municipal? E quem paga a conta quando a Saúde é tratada como fonte de recursos para tapar outros buracos do orçamento?
Em um município onde o SUS é a única alternativa para milhares de pessoas, cortar verbas da Saúde não é apenas uma escolha administrativa — é uma decisão política com consequências concretas e imediatas para a população.























