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Prefeitura de Campo Grande ignora crise salarial e taxa gratificação de administrativos da Reme

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Servidores denunciam descaso e manobra política para deslegitimar protestos; movimento pede veto ao PLC nº 10/2025

Em meio a uma crise salarial que afeta os profissionais administrativos da Rede Municipal de Ensino (Reme), a Prefeitura de Campo Grande dá mais um duro golpe à categoria ao propor a taxação de 14% sobre a gratificação do programa Profuncionário. O Projeto de Lei Complementar nº 10, de 30 de setembro de 2025, tem sido alvo de duras críticas por parte dos trabalhadores que, nesta terça-feira (7), ocuparam a Câmara Municipal em protesto.

Mesmo sem vínculo sindical, os manifestantes se organizaram e compareceram em peso para pedir o veto da proposta. Segundo Jorge Aparecido Dantas, presidente da Comissão dos Administrativos Não Sindicalizados da Reme, a medida penaliza ainda mais uma categoria historicamente desvalorizada.

“Nós somos contra a taxação porque o nosso salário já está muito defasado. Tirar alguma coisa desse salário vai dificultar ainda mais a nossa vida financeira”, afirmou Dantas.

A gratificação do Profuncionário é destinada a profissionais que buscam qualificação técnica, e, segundo os manifestantes, não deveria compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. No documento entregue aos vereadores, eles denunciam que o projeto “distorce a natureza da qualificação técnica” e “ignora a situação salarial crítica da categoria”.

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Prefeitura se esquiva e usa narrativa política para deslegitimar trabalhadores

Em resposta ao protesto, o ex-vereador e ex-dirigente sindical Marcos Tabosa, que atualmente se mantém próximo ao comando do sindicato, desqualificou o movimento, classificando-o como “ato político”. Para ele, o grupo não representa a maioria da categoria.

“Esse pequeno grupo não representa a maioria. A taxação foi decidida em assembleia com quase 400 administrativos filiados ao sindicato. Esse movimento hoje foi um movimento político”, declarou Tabosa.

A fala gerou revolta entre os manifestantes, principalmente por ter sido acompanhada de áudios que circularam nas redes sociais, nos quais o ex-vereador chegou a chamar parte da categoria de “mal-agradecida”.

“Esse senhor nunca foi representante do administrativo da educação”, rebateu Dantas, indignado com o tom ofensivo do áudio de sete minutos, que circulou antes da manifestação.

Prefeitura permanece em silêncio diante das denúncias

Até o momento, o Executivo Municipal não se pronunciou oficialmente sobre os protestos, tampouco sobre as críticas ao conteúdo do projeto. A tentativa de avançar com a taxação em meio ao silêncio institucional e à desmobilização sindical levanta questionamentos sobre a postura da Prefeitura diante de servidores que, mesmo com baixos salários e pouca valorização, mantêm a máquina pública funcionando.

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Desvalorização como política de gestão

Para muitos, a iniciativa da Prefeitura representa mais do que um ajuste técnico: é um projeto político de desvalorização do servidor público. Ao ignorar o contexto salarial e impor uma taxação sobre gratificações que, na prática, funcionam como um alívio para vencimentos baixos, a administração municipal demonstra insensibilidade social e desprezo pelos profissionais que atuam nas escolas da cidade.

O protesto desta terça-feira expôs não apenas a indignação de uma categoria invisibilizada, mas também a fragilidade da relação entre o poder público e seus servidores de base. Em vez de abrir diálogo, a resposta institucional foi o silêncio — ou pior, a tentativa de deslegitimação por meio de velhas estratégias políticas.

Enquanto isso, os administrativos da Reme seguem à margem da valorização prometida em campanhas e esperam que os vereadores tenham a sensibilidade que a Prefeitura demonstrou não ter.

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