A possível negociação de um acordo de colaboração premiada pelo ex-secretário-geral da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero), Rogério Gago da Silva, preso preventivamente na Operação Reduto, da Polícia Federal, tem aumentado a expectativa nos bastidores políticos e pode provocar novos desdobramentos nas investigações que apuram um suposto esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e prática de “rachadinha”.
Exonerado oficialmente do cargo por ato publicado no Diário Oficial da Assembleia Legislativa na última quarta-feira (15), Rogério Gago era considerado um dos principais articuladores administrativos da Casa e ocupava uma função estratégica junto à Presidência do Legislativo estadual.
Nos meios políticos de Rondônia circulam informações de que o ex-secretário estaria avaliando a possibilidade de firmar um acordo de colaboração premiada com as autoridades. Até o momento, entretanto, não há confirmação oficial da Polícia Federal, do Ministério Público ou da defesa de Rogério Gago sobre a existência ou formalização de qualquer negociação.
Caso uma delação venha a ser efetivamente celebrada e homologada pela Justiça, o conteúdo das declarações poderá ampliar significativamente o alcance das investigações da Operação Reduto.
Operação já atingiu núcleo da Assembleia
A Operação Reduto teve como alvo a estrutura da Assembleia Legislativa de Rondônia e resultou no afastamento de 11 servidores, na prisão de dois investigados e no bloqueio de até R$ 9 milhões em bens.
Entre os alvos das buscas esteve o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Alex Redano (Republicanos), que teve gabinete, residência e outros endereços vistoriados pela Polícia Federal. As investigações também alcançaram servidores ligados à Prefeitura de Ariquemes e uma empresa sediada em Manaus.
Segundo a Polícia Federal, a investigação identificou movimentações financeiras superiores a R$ 9 milhões consideradas incompatíveis com a renda declarada dos investigados. O inquérito aponta duas frentes de atuação: uma relacionada ao direcionamento de licitações e outra ao suposto esquema de “rachadinha” envolvendo servidores comissionados da Assembleia.
Impacto político pode ser expressivo
Analistas políticos avaliam que uma eventual colaboração premiada de Rogério Gago, caso confirme a participação de agentes públicos ou revele novos fatos, poderá atingir lideranças políticas estaduais em um momento de pré-campanha eleitoral.
Dependendo do conteúdo das declarações e das provas eventualmente apresentadas, novos investigados poderão ser identificados, o que poderia alterar alianças políticas, provocar mudanças nas estratégias partidárias e influenciar diretamente o cenário das eleições em Rondônia.
Especialistas ressaltam, porém, que uma delação premiada, por si só, não comprova a prática de crimes. As informações prestadas pelo colaborador precisam ser corroboradas por outras provas para produzir efeitos em processos judiciais.
Defesa ainda não se manifestou
Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública da defesa de Rogério Gago sobre a possibilidade de um acordo de colaboração premiada.
A Assembleia Legislativa informou anteriormente que acompanha as investigações e permanece à disposição das autoridades. Já a Prefeitura de Ariquemes declarou estar colaborando com a Polícia Federal e afirmou que não há conclusão sobre eventual irregularidade envolvendo a administração municipal.
As investigações da Operação Reduto seguem em andamento sob responsabilidade da Polícia Federal.
Nota da Redação: A informação sobre uma possível negociação de colaboração premiada refere-se a informações que circulam nos bastidores políticos e não foi confirmada oficialmente pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, pelo Poder Judiciário ou pela defesa do investigado. Até o momento, não existe anúncio público de acordo firmado ou homologado. O texto acima apresenta os possíveis impactos políticos caso a colaboração venha a ocorrer.
























