Jogo do bicho

Successione: Neno traçou plano para desbancar grupo de SP que comandava jogo do bicho em Campo Grande

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Fim da Omertà deu início a uma disputa pelo controle do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul

O mito da Hidra de Lerna, criatura mitológica grega em forma de serpente aquática de várias cabeças, já dizia que se uma delas era cortada, outras duas ou mais cresciam no lugar. É quase desta forma que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) vê o esquema de jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.

Mesmo quando o Gaeco cortou uma cabeça com o desmantelamento de organização criminosa resultado da Omertà, em 2019, um grupo de São Paulo, o MTS, recrutou seus integrantes e colaboradores que não foram presos ou processados. Assim, dando continuidade ao esquema ilícito no Estado.

Entretanto, como mostrou o Jornal Midiamax, o clã Razuk também estava interessado na operacionalização da jogatina. Assim, o deputado estadual Neno Razuk (PL), apontado como líder do esquema, delineou um plano para desbancar o grupo paulista e ‘cortar umas cabeças’ (no sentido figurado).

O Gaeco narra que Neno tinha o intuito de tomar os pontos de exploração do jogo do bicho em Campo Grande e, por isso, montou um organograma da MTS. Então, tentou cooptar os motociclistas que recolhem as apostas e ainda roubou os valores recolhidos pelos cambitas a apontadores do MTS.

Em outubro de 2023, à luz do dia e com aparato especial, o grupo de Razuk efetuou três assaltos aos “recolhes” do MTS. Quem levantava informações sensíveis sobre o grupo rival era Samuel Ozório Júnior, conforme o Gaeco.

As investigações ainda demonstraram que o grupo de Neno tinha planos de matar um dos líderes do grupo paulista.

dourados
Dourados (Divulgação, PMD)

Forte presença em Dourados

Além de atuar em Campo Grande, o clã Razuk tinha forte presença em Dourados e região sul de Mato Grosso do Sul — além de influência política.

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A equipe cita que mesmo após a deflagração da Sucessione, em 2023 (e teve Neno Razuk como um dos alvos), a família Razuk continuou explorando o jogo do bicho em Dourados. A mãe do deputado, Délia Razuk, foi prefeita de Dourados.

“[…] diversos pontos estratégicos da cidade, onde podem ser anotadas as apostas, o que somente se consegue mediante conivência de funcionários públicos responsáveis pela fiscalização e repressão da atividade ilícita”, informa.

Além disso, a promotoria ainda menciona o envolvimento de servidores públicos, que fariam ‘vista grossa’. “[…] tem-se o envolvimento das organizações criminosas com a classe política, reforçando seu poderio e a dificuldade de serem combatidas pelos órgãos de fiscalização e segurança pública”, diz o documento do Gaeco.

O deputado Neno Razuk ainda não se manifestou sobre a operação. O espaço segue aberto para manifestação.

Gaeco deflagra quarta fase da Operação Successione

Na terça-feira, 25 de novembro de 2025, o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) deflagrou a quarta fase da Operação Successione, contra uma organização criminosa que explora jogos ilegais.

Foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã. Alvos também foram identificados no Paraná, em Goiás e no Rio Grande do Sul.

Em dezembro de 2023, o Gaeco identificou que o grupo tentou assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande, após a derrocada da família Name na Operação Omertà, em dezembro de 2019.

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O deputado estadual Neno Razuk (PL) — filho de Roberto Razuk — é apontado pelos promotores como líder da organização criminosa que contava com policiais militares como ‘gerentes’ do grupo que controlava o jogo do bicho no Estado.

Os mandados foram cumpridos em endereços dos pais de Neno, do chefe de gabinete dele e de Rhiad.

Veja a lista completa de alvos de prisão:

  1. Roberto Razuk, empresário e ex-deputado estadual
  2. Rafael Godoy Razuk, filho de Roberto
  3. Jorge Razuk Neto, filho de Roberto
  4. Sérgio Donizete Balthazar, empresário
  5. Flávio Henrique Espíndola Figueiredo
  6. Jonathan Gimenez Grance (“Cabeça”), empresário
  7. Samuel Ozório Júnior, comerciante
  8. Odair da Silva Machado (“Gaúcho”)
  9. Gerson Chahuan Tobji
  10. Marco Aurélio Horta, chefe de gabinete de Neno Razuk
  11. Anderson Lima Gonçalves, sargento da Polícia Militar de MS
  12. Paulo Roberto Franco Ferreira
  13. Anderson Alberto Gaúna
  14. Willian Ribeiro de Oliveira, empresário
  15. Marcelo Tadeu Cabral, empresário e suplente de vereador em Corumbá
  16. Franklin Gandra Belga
  17. Jean Cardoso Cavalini
  18. Paulo do Carmo Sgrinholi
  19. Willian Augusto Lopes Sgrinholi
  20. Rhiad Abdulahad, advogado
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Ação do Gaeco em frente à casa dos Razuks, em Dourados. (Marcos Morandi, Jornal Midiamax)

Roberto Razuk comandava jogo do bicho na região Sul

Roberto Razuk foi apontado pelo Gaeco como antigo chefe da operação do jogo do bicho na região sul do Estado. Até a década de 1990, o esquema em todo o Mato Grosso do Sul era liderado por Fahd Jamil, também alvo da Successione em fases anteriores.

Fahd deixou o comando da organização criminosa e dividiu a operação em duas frentes: a região de Campo Grande ficou com Jamil Name e a região de Dourados e Ponta Porã passou para Roberto Razuk. O antigo líder ficou distante, mas manteve influência, como mostrou reportagem da revista Piauí, em dezembro de 2024.

JORNAL MIDIAMAX

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