Corrupção

Réu por corrupção e condenado pelo TJMS, juiz aposentado ganhou R$ 712,4 mil em 2023

Apesar de “aposentado”, juiz Aldo Ferreira da Silva Júnior ganhou R$ 59,3 mil por mês (Foto: Arquivo)

publicidade

Condenado com a aposentadoria por suspeita de corrupção e venda de sentença pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o juiz Aldo Ferreira da Silva Júnior recebeu R$ 712,4 mil apenas em 2023, segundo o Portal da Transparência. O magistrado ganhou R$ 59,3 mil por mês em proventos – o equivalente a 44 salários mínimos. Um trabalhador comum levaria três anos e meio para acumular a fortuna paga mensalmente ao magistrado.

A outra polêmica envolve a desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, do TJMS, também punida com aposentadoria, mas pelo Conselho Nacional da Justiça em dezembro de 2021. Ela foi “condenada” por usar o poder para ajudar a tirar o filho, Breno Fernando Solon Borges, preso por tráfico de drogas e munições de armas de grosso calibre, da cadeia em 2017. Ela recebeu R$ 925 mil em aposentadoria no ano passado.

Júnior foi afastado da 5ª Vara da Família e Sucessões de Campo Grande por suspeita de venda de sentença. Ele foi alvo da Operação Espada da Justiça, deflagrada pelo Gaeco (Grupo der Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Leia Também:  Caso de nepotismo coloca administração de Rochedo na mira do MP

O Ministério Público Estadual protocolou três denúncias por corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato contra o magistrado e a esposa, a advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva. As ações tramitam em sigilo na 4ª Vara Criminal de Campo Grande, sob o comanda da juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna.

Só que o Tribunal de Justiça decidiu punir Aldo Ferreira em processo administrativo com a aposentadoria compulsória, a punição máxima prevista na legislação brasileira a um magistrado. Sem trabalhar, ele passou a receber aposentadoria de R$ 28 mil por mês.

Além do subsídio e uma gratificação, Aldo teve direito ao pagamento de retroativo relativo ao adicional por tempo de serviço no valor de R$ 30 mil de fevereiro a setembro, de R$ 20 mil em outubro, de R$ 40 mil em novembro e R$ 50 mil em dezembro de 2023.

Descontando Imposto de Renda e previdência social, o magistrado ganhou mais de meio milhão de reais no ano passado – R$ 564.857,41. O Tribunal de Justiça pagou a aposentadoria porque cumpre a lei.

Aldo virou réu no Tribunal de Justiça. O relator foi o desembargador Luiz Gonzaga Mendes Marques. No entanto, após ser aposentado, ele perdeu o foro privilegiado e o caso foi encaminhado à primeira instância, onde não há previsão de julgamento nem de punição.

Leia Também:  "Empresa de invstimentos" aplica golpe milionário no sul de MS

Na primeira denúncia, o juiz e a esposa, a advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva, podem ser condenados a perda de R$ 5,451 milhões, ao pagamento de R$ 5,4 milhões a título de reparação e de R$ 27,2 milhões por danos morais.

A 2ª ação penal é por peculato, corrupção passiva, supressão e documento e falsidade ideológica. O juiz, Emmanuelle Alves, o advogado Ildefonso Lucas Gessi e os empresários José Carlos Lopes, José Carlos Tavares Pinto e Pedro André Scaff Raffi, podem ser condenados a prisão e a pagar R$ 10,9 milhões, referente a perda de R$ 439,2 mil, reparação de R$ 1,758 milhão e R$ 8,792 milhões a título de danos morais.

A 3ª denúncia é contra Aldo e mais oito pessoas, que podem ser condenados pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Além da prisão, que pode superar 10 anos, eles podem ser condenados a pagar reparação de R$ 29,232 milhões a título de danos morais e a perda da função pública.

 

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide

publicidade

Previous slide
Next slide