retrospectiva 2024

Na venda da folha dos servidores, prefeitura da Capital fez negociação oculta com uma Oscip para ajeitar o edital

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(Em resposta, prefeita não nega, nem confirma encontro, e ignora os questionamentos sobre contatos com a Oscip BR TEC)

 

A Prefeitura de Campo Grande vendeu sua folha de pagamento dos servidores municipais ao Banco Bradesco, por meio de pregão presencial realizado em março deste ano. Nada haveria de estranho se esta operação não fosse impulsionada por um ajuste intrigante arranjado no ano anterior.

Em setembro de 2023, a prefeita Adriane Lopes (PP) sacramentava outro negócio, aparentemente gerado no silêncio das reservadas transações subterrâneas, mediante contato com intermediários de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), a BR TEC. Coube a ela a tarefa de redigir o conteúdo do edital para o pregão, procedimento que poderia ou deveria ser entregue a outro órgão especializado, o Sicomp (Sistema de Compras), já existente na cidade.

Este portal de notícias recebeu de fontes com trânsito nos poderes políticos do município algumas informações sobre a suposta articulação, inclusive com data e local das conversas e nomes de pessoas próximas da prefeita que teriam participado delas. Para obter e divulgar as respostas de Adriane ou da prefeitura a redação enviou seis perguntas, com o objetivo de assegurar sua manifestação.

Estas foram as perguntas formuladas a Adriane Lopes ou a quem por ela for designado para responder:

PERGUNTAS

1- Prefeita Adriane Lopes: um dos questionamentos que a senhora rebateu com firmeza durante a campanha foi sobre a questão da transparência, tendo no foco a polêmica folha secreta. A senhora respondeu pontuando que Campo Grande é a capital com a segunda melhor gestão em transparência no País. Diante disso, a população foi informada, por exemplo, sobre como é feito o processo de venda da folha de salários dos servidores para instituições financeiras?

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2- No caso da folha de pagamentos do pessoal, qual o critério que foi utilizado para escolha do Instituto Brasileiro de Tecnologia, Empreendedorismo e Gestão, a BR TEC, cujo CNPJ é 15.555.941/0001-69?

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3- No dia 15 de maio deste ano a senhora recebeu em seu gabinete, na prefeitura, um intermediário ou um lobista para tratar da negociação da folha dos servidores junto a uma Oscip?

4- No encontro de 15 de maio havia mais alguém de sua assessoria ou de seu círculo afetivo acompanhando a conversa?

5- A senhora ligou para o Instituto Brasileiro de Tecnologia, Empreendedorismo e Gestão–BR TEC, com sede em Belo Horizonte (MG) e falou com o Sr Clodoaldo para tratar sobre valores envolvidos na negociação para compra e venda da folha do funcionalismo municipal?

6- Seu esposo, o deputado estadual Lídio Lopes, colabora com sua gestão sugerindo projetos ou realizando e ações diversas?

As respostas, assinadas como autoria da Prefeitura Municipal, ignoram todos os questionamentos sobre a suposta negociação com a BR TEC. Nas explicações, a versão oficial nada comenta sobre o contato ou não entre a prefeita e o “Sr Clodoaldo”, que seria um lobista ou intermediário daquela transação, nem esclarece também se o deputado Lídio Lopes, marido de Adriane, estava presente.

Em sua manifestação oficial. a prefeitura campo-grandense limitou-se a focalizar um único procedimento sobre a venda de folha salarial, que foi o processo do pregão vencido pelo Bradesco em março e homologado em abril. Estas são, na íntegra, as respostas da prefeitura, que tem como titular a prefeita Adriane Lopes, reeleita para mais um mandato:

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“1) A Prefeitura Municipal de Campo Grande informa que, conforme publicado no Diogrande edição nº 7.441, de 1º de abril de 2024, a folha salarial dos servidores ativos e inativos está sob a gestão do Banco Bradesco, que venceu o pregão presencial no mês de março de 2024. O prazo de vigência do contrato será de cinco anos. O Pregão foi realizado no dia 26 de março de 2024, em sessão pública, na sala de reuniões da Secomp (Secretaria-Executiva de Compras Governamentais), no Paço Municipal. A mencionada sessão pôde, inclusive, ser acompanhada por qualquer pessoa, além das instituições interessadas em participar da licitação.

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2) Compareceram à sessão o Banco Santander (BRASIL) S.A, o Banco Bradesco S/A e a Caixa Econômica Federal, no entanto, apresentaram proposta e disputaram lances apenas o Banco Santander e o Banco Bradesco.

3) Ao todo foram 203 (duzentas e três) rodadas com 406 (quatrocentos e seis) lances. A sessão teve duração aproximada de 6 (seis) horas, sendo encerrada no mesmo dia com o banco Bradesco sagrando-se vencedor da licitação”.

Este portal cumpre com a responsabilidade e os princípios de isenção e de imparcialidade na divulgação desta pauta. Há diversas questões ainda sem o necessário esclarecimento já levantadas pela reportagem e sujeitas ao questionamento da sociedade. Trata-se de um assunto de total interesse, não só da imprensa, mas de toda a sociedade, sobretudo por envolver o uso de recursos públicos e as relações entre a prefeitura e uma organização especializada na compra de folhas salariais de trabalhadores.

 

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