Campo Grande enfim ganhou seu Parque Tecnológico – não exatamente um polo de inovação, mas um cenário ideal para vídeos inspiradores, entrevistas performáticas e frases de efeito embaladas em filtro cinematográfico. A ideia, dizem as más línguas, nasceu do sonho futurista da prefeita Adriane Lopes de se tornar uma “mulher moderna e tecnológica”, e foi fielmente alimentada por sua escudeira virtual e eterna influenciadora pentecostal sênior, Adriana Tozzeti – aquela que acredita piamente que um bom carrossel no Instagram move mais a economia que qualquer fundo de investimento.
Com recursos garantidos há anos – e agora evaporados como vapor de café gourmet em sala refrigerada – o Parque virou ponto de peregrinação para servidores públicos muito bem remunerados munidos de seus iPhones 16 Pro Max, que filmam tudo com profundidade de campo, trilha de fundo e zero resultado prático.

Alto aluguel, baixa entrega
Enquanto o aluguel do local rivaliza com escritórios de grandes capitais, a produtividade se assemelha a de um Barrichello com o Schumacher na cola. Aliás, o espaço é tão tecnológico que, até agora, não se sabe se o maior produto do Parque são as salas de reunião (muito bem utilizadas por secretarias para justificar o gasto), ou os vídeos motivacionais publicados nas redes sociais da diretora e sua trupe.
Startups, universidades, Sistema S… alguém por aí?
A promessa era um ecossistema de inovação. O que se vê são promessas em looping eterno. Startups? Ainda esperando o unicórnio. Universidades? Algumas foram lá uma vez, ganharam café e saíram com um aperto de mão e a promessa de “vamos marcar de mapear um projeto”. Sistema S? Silêncio absoluto – talvez estejam processando a inovação via protocolo lento.
E o que o Parque entrega, afinal?
-Reuniões com pastas e PowerPoints que evaporam como névoa;
-Vídeos com legendas sobre “o futuro da cidade” e “tecnologia humanizada”;
-E claro, aquela sensação de que algo grandioso está para acontecer… desde 2022.
Finalizamos com uma pergunta ao leitor:
Você, contribuinte, visionário, ou apenas curioso, já viu algo sair dali que justificasse o aluguel, os serviços, os vídeos, os discursos, o café gourmet ou as plaquinhas motivacionais nas paredes?
Ou será que o Parque Tecnológico é, no fundo, apenas o cenário perfeito para a série “Campo Grande Black Mirror – onde a tecnologia é ficção e o gasto é realidade”?
Fica a dúvida. E a legenda pronta: “Aqui, inovamos até na ausência de inovação.”
Redação satírica de um contribuinte frustrado, mas muito bem informado.





















