Economia

China amplia compras e compensa recuo dos EUA na compra de carne de Mato Groso do Sul

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Exportações batem recorde, mas especialistas alertam para riscos de outra dependência comercial

 

A Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), anunciou nesta terça-feira (9), que a China ampliou suas compras e compensa recuo dos EUA na compra de carne de MS. Bem como, se mencionou que a exportação total bate recorde, com US$ 178 milhões, alta de 65%, em agosto de 2025 ante agosto 2024. Mas, especialistas alertam para riscos de outra dependência comercial, saindo do ‘gigante’ americano e ficar no chinês.

Conforme dados da Fiems, em agosto, a China comprou US$ 91 milhões em carne bovina do Estado, em maior volume já registrado pelo MS. O aumento expressivo nas exportações para o país asiático compensou a queda brusca nas compras dos Estados Unidos, que recuaram ao quarto lugar entre os principais destinos após o tarifaço de 50% imposto pelo presidente Donald Trump, sobre produtos brasileiros.

O economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, detalha que “Com 16 mil toneladas adquiridas, um crescimento de 146% em relação às 6,5 mil toneladas de agosto de 2024, a China foi responsável por mais da metade das exportações do Estado. Os EUA, que compraram apenas 1,4 mil toneladas no mesmo período — queda de 54% —, responderam por menos de 5% do total embarcado”, afirmou.

A receita total das exportações MS, de carne bovina em agosto chegou a US$ 178 milhões, alta de 65% em relação ao mês de 2024. O crescimento das vendas foi de 34,2%, com 32 mil toneladas enviadas a 52 países. “O recuo nas exportações aos EUA foi compensado pelo aumento das compras da China, que cresceram mais de US$ 61 milhões em relação ao ano passado. Nunca vendemos tanto para a China”, ressaltou Ezequiel Resende.

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Reconfiguração do mercado internacional

O economista-chefe da Fiems, aponta que cenário reflete uma reconfiguração na geopolítica das exportações de proteína animal de MS. “China e Estados Unidos ocupavam, de forma quase estável, as duas primeiras posições entre os maiores compradores da carne bovina do Estado. O tarifaço norte-americano, que excluiu a carne da lista de cerca de 700 produtos isentos, quebrou ou acabou com esse equilíbrio”, avalia Ezequiel.

Em agosto, o novo ranking de compradores teve o Chile (US$ 16,4 milhões) e o México (US$ 11,8 milhões) ocupando a segunda e terceira posições, respectivamente.

O México, que até 2023 sequer figurava entre os 20 principais destinos da carne brasileira, viu suas compras crescerem após a abertura de mercado naquele ano, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

Israel (US$ 6,65 milhões), Turquia, Filipinas e Itália também mantiveram presença significativa.

Tendência ou reação ao tarifaço?

O secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento, Jaime Verruck, vem falando que o resultado é fruto de uma política ativa de diversificação. “Mesmo com incertezas no comércio internacional, MS ampliou suas vendas externas, com destaque para a carne bovina”, afirmou ante até que desde março, o crescimento nas compras chinesas tem sido contínuo, com saltos mensais próximos de 100%.

Para o analista de mercado internacional Aldo Barigosse, trata-se de uma tendência, não apenas uma reação ao cenário externo. “O crescimento mês a mês indica uma demanda crescente da China pelo nosso produto. Isso mostra que o estado já estava em uma trajetória de crescimento com o país asiático antes mesmo da imposição das tarifas pelos EUA”, disse.

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Na mesma linha, o gerente-técnico da Famasul, José Pádua, aponta que frigoríficos de cidades como Rochedo e Campo Grande, habilitados a atender os dois mercados, têm redirecionado volumes antes destinados aos norte-americanos para atender à demanda chinesa.

“O avanço das exportações para o mercado chinês foi ainda mais expressivo em MS e reflete essa mudança estratégica de direcionamento”, avaliou.

O risco da ‘nova’ dependência

Apesar do resultado recorde, especialistas fazem um alerta: o excesso de dependência de um único mercado pode representar um risco estrutural. Atualmente, a China responde por cerca de 35% das exportações acumuladas de carne bovina do estado em 2025.

“Temos uma competitividade consolidada na agroindústria, e é natural que vendamos mais para quem quer comprar. Mas é preciso atenção. Aumentar a dependência de um único mercado nos torna vulneráveis a mudanças externas, sejam sanitárias, diplomáticas ou tarifárias”, alertou Ezequiel Resende, da Fiems.

Diante desse cenário, o estado tem intensificado ações para diversificar sua pauta de exportação. Em julho, missões comerciais foram enviadas à Ásia, e novos acordos estão em negociação com mercados do Oriente Médio e América Latina. O Chile, segundo maior comprador em agosto, foi um dos focos desses esforços.

 

 

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