A conta de energia elétrica em Mato Grosso do Sul deve ficar, em média, 12,11% mais cara após a intervenção do Ministério de Minas e Energia não conseguir impedir o reajuste. A tentativa do Governo Federal resultou apenas na redução de R$ 21 milhões no cálculo tarifário, valor considerado insuficiente para alterar de forma significativa o percentual final.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve aprovar o reajuste na próxima terça-feira (14), com efeito retroativo ao dia 8, data-base do contrato. O processo chegou a ser retirado da pauta a pedido do Ministério, que buscava alternativas para diminuir o aumento. No entanto, a única medida viável foi o diferimento proposto pela concessionária Energisa MS, com impacto de apenas -0,48% no índice.
Com isso, o reajuste médio ficou definido em 12,11% para cerca de 1,15 milhão de consumidores nos 74 municípios do Estado. O percentual inicial era de 12,61%.
Para os consumidores de alta tensão, que incluem indústrias e grandes empresas, o aumento será de 12,39%. Já os consumidores de baixa tensão, onde se enquadram residências e pequenos comércios, terão reajuste médio de 11,98%.
O aumento é quase dez vezes superior ao registrado no ano passado, quando a correção foi de 1,33%. Também supera em mais de três vezes a inflação oficial acumulada nos últimos 12 meses, medida pelo IPCA, que ficou em 3,81%.
O índice é o maior desde 2022, quando a tarifa subiu 18,16%. Em 2023, o aumento foi de 9,28%, enquanto em 2024 houve redução de 1,61%, a primeira queda desde 2017.
Apesar dos reajustes mais moderados nos últimos anos, a concessionária apresentou lucros expressivos. Em 2025, a empresa registrou lucro de R$ 407 milhões. Em 2024, ano em que houve redução tarifária, o resultado foi ainda maior, com R$ 603,7 milhões, segundo maior da história, atrás apenas de 2023, quando o lucro chegou a R$ 609 milhões. Em cinco anos, a empresa acumulou aproximadamente R$ 2,7 bilhões em ganhos.
O reajuste deve impactar diretamente o orçamento das famílias e também os custos da produção industrial e comercial no Estado, aumentando a preocupação com o efeito sobre a economia local.





















