A Justiça determinou que a Secretaria Executiva de Cultura (Secult) apresente toda a documentação relacionada ao edital que definiu a ocupação de quiosques no espaço cultural conhecido como Cidade do Natal, hoje Vila Morena, nos Altos da Avenida Afonso Pena.
O pedido integra uma ação de improbidade administrativa que tramita desde 2023 e investiga suspeitas de favorecimento na distribuição dos espaços. O despacho frisa que medidas semelhantes já haviam sido tomadas anteriormente, mas sem cumprimento efetivo. Caso os papéis não existam mais ou tenham sido extraviados, a secretaria terá de justificar formalmente a ausência.
Denúncia amplia polêmica
Enquanto o processo se arrasta na Justiça, novas denúncias reacendem a polêmica sobre a condução dos eventos mais recentes na Cidade do Natal. Segundo apurado pela reportagem, a execução do contrato de 2024 passou a ser cercada de questionamentos logo após a licitação, levantando dúvidas sobre a lisura do processo e a forma como os recursos foram administrados.
Constava no contrato a possibilidade de captação de patrocínios junto a empresas e concessionárias, mecanismo que deveria fortalecer o financiamento da festa e garantir uma programação mais ampla e diversificada para a população. No entanto, denúncias apontam que esses acordos teriam sido tratados diretamente pela Prefeitura, sob a coordenação do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), liderado por Adir Diniz, e supostamente por determinação da prefeita Adriane Lopes (PP).
O resultado foi percebido pelo público: marcas estampadas nos palcos, produtos em evidência nas atrações e a presença ostensiva de patrocinadores no cenário natalino. O que não se viu, porém, foi a mesma transparência na destinação dos valores arrecadados. Até o momento, não há informações claras sobre a aplicação dos recursos obtidos, tampouco registros públicos que expliquem em que medida o dinheiro foi revertido em benefício direto da festa ou da comunidade.
Essa falta de clareza amplia a sensação de que a condução administrativa da Cidade do Natal ainda carece de explicações convincentes. A percepção de que acordos foram fechados de forma paralela e sem ampla divulgação pública reforça os questionamentos sobre práticas de favorecimento que já vinham sendo apontadas em processos anteriores. Para muitos, o episódio soma-se a um histórico de fragilidades na gestão cultural da Capital, onde decisões estratégicas parecem escapar ao crivo da transparência e da legalidade.
A permanência dessas dúvidas — tanto em relação ao passado, com os quiosques, quanto ao presente, com os patrocínios — revela um padrão que preocupa. Afinal, quando a principal festa natalina de Campo Grande, voltada a reunir famílias e exaltar tradições, passa a ser palco de disputas judiciais e denúncias de bastidores, a confiança do cidadão é diretamente abalada. E, no fim, resta a indagação: quem realmente se beneficia dos recursos que deveriam sustentar a cultura e a celebração coletiva da cidade?























