caos na saúde

“Nem linha para sutura: Saúde pública de Campo Grande expõe abandono e revolta famílias”

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A cena é inacreditável, mas real: uma idosa de 77 anos, com um ferimento profundo no dedo, sai da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Coronel Antonino, em Campo Grande (MS), sem o atendimento necessário por um motivo inaceitável — falta de linha para sutura. O caso, ocorrido no último domingo (12), escancara o caos instalado na rede pública de saúde da capital sul-mato-grossense, gerando indignação e um grito por providências.

Segundo a filha da paciente, uma estudante de 48 anos que prefere não ser identificada, a mãe se feriu ao manusear uma faca em casa. Ao buscar socorro na UPA, foi atendida rapidamente, e a médica confirmou a necessidade de dar pontos. No entanto, poucos minutos depois, a profissional retornou constrangida: não havia linha para realizar a sutura.

“Ela ficou envergonhada, pediu desculpas e disse que não tinha como costurar. Apenas fez um curativo e mandou minha mãe embora”, relata, revoltada.

Sem o procedimento, o corte — profundo e localizado próximo a uma veia — segue cicatrizando de forma natural, o que pode trazer consequências, especialmente considerando a fragilidade da pele em idosos. A paciente agora realiza curativos diários em um posto de saúde do bairro Estrela do Sul.

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Falta de medicamentos agrava drama

Como se não bastasse o descaso no primeiro atendimento, a família denuncia ainda a falta crônica de medicamentos na rede pública. A idosa, que faz uso contínuo de fluoxetina (um antidepressivo essencial), não consegue mais acesso ao remédio pelo SUS.

“Estamos tendo que comprar. Mas e quem não tem condições? Conhecidos nossos já tiraram a própria vida por não conseguirem o remédio. É gravíssimo”, alerta a filha.

A situação, para a família, já ultrapassou os limites do suportável. “Não tem linha para sutura, não tem remédio, não tem estrutura. Isso é abandono. Campo Grande é uma capital e está largada. Queremos saber para onde está indo o dinheiro da saúde”, dispara.

Silêncio e indignação

A reportagem procurou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) para questionar sobre a falta de insumos básicos como linha de sutura e medicamentos de uso contínuo, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.

Enquanto isso, a população continua enfrentando um sistema colapsado, onde até o atendimento mais básico, como fechar um ferimento, se torna um privilégio. O caso da idosa é só mais um em uma lista crescente de denúncias sobre a precarização da saúde pública em Campo Grande.

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A omissão das autoridades e a falta de planejamento revelam um problema estrutural que está longe de ser solucionado — e que continua custando caro para quem mais precisa.

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