Eugênio Aragão deixa defesa de ex-presidente do BRB em meio a negociações de delação

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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O advogado e ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão anunciou nesta terça-feira (19) sua saída oficial da defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). A decisão ocorre em meio às negociações de um acordo de colaboração premiada envolvendo a Operação Compliance Zero, investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. 

A saída de Aragão acontece em um momento considerado decisivo para o andamento das tratativas entre a defesa de Costa e as autoridades responsáveis pelo caso. O ex-dirigente do BRB está preso preventivamente desde abril e, segundo fontes ligadas à investigação, teria demonstrado disposição para colaborar com as apurações. 

Divergências sobre estratégia de colaboração 

Eugênio Aragão integrava a defesa ao lado do criminalista Davi Tangerino, que permanecerá à frente do caso. Nos bastidores, a saída do ex-ministro é atribuída a divergências sobre a condução das negociações da delação premiada, especialmente em relação aos critérios jurídicos e procedimentais adotados durante as conversas com os investigadores. 

Em nota oficial, Aragão afirmou que sua atuação profissional sempre esteve baseada na “absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade”. O advogado também destacou sua trajetória de quase três décadas no Ministério Público Federal e sinalizou que acordos de colaboração só devem avançar diante da existência de provas sólidas e juridicamente consistentes. 

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A manifestação foi interpretada como um indicativo de desconforto com os rumos das tratativas em curso. 

Prisão e acusações 

Paulo Henrique Costa foi preso preventivamente em 16 de abril durante os desdobramentos da Operação Compliance Zero. Inicialmente levado ao Complexo da Papuda, ele acabou transferido posteriormente para a unidade conhecida como Papudinha, onde teria melhores condições para auxiliar na elaboração dos anexos relacionados à possível colaboração premiada. 

As investigações apontam suspeitas de negociação de aproximadamente R$ 140 milhões em propinas ligadas a operações imobiliárias e financeiras destinadas a favorecer interesses do Banco Master e do banqueiro Daniel Vorcaro dentro do BRB. 

Os investigadores apuram possíveis irregularidades envolvendo contratos, movimentações financeiras e favorecimentos institucionais ocorridos durante a gestão de Costa no banco estatal do Distrito Federal. 

Impacto nas investigações 

A saída de Eugênio Aragão pode alterar o ritmo das negociações com a Procuradoria-Geral da República (PGR), uma vez que o advogado já havia iniciado interlocuções preliminares sobre os termos da colaboração. 

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Apesar do interesse demonstrado por Paulo Henrique Costa em avançar no acordo, o termo de confidencialidade, etapa considerada fundamental para formalizar o início da delação, ainda não foi assinado. 

Com a reformulação da equipe de defesa, caberá agora exclusivamente a Davi Tangerino conduzir as negociações e apresentar elementos que possam atender às exigências da Polícia Federal e do Ministério Público Federal para eventual homologação do acordo. 

A troca de defensores em uma fase considerada sensível das tratativas é vista nos bastidores jurídicos como um fator que pode influenciar diretamente os próximos passos da investigação e os desdobramentos políticos e institucionais do caso. 

 

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