COP30

Extremos marcam a COP30: protestos indígenas e recorde proporcional de lobistas do petróleo

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Com 1.602 representantes, a presença da indústria do petróleo, incluindo a cadeia de combustíveis, é a maior já registrada proporcionalmente nesta Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas.

Para cada 25 participantes, um está na COP30  em nome de petroleiras ou afins. A conclusão é da coalizão Kick Big Polluters Out, que signfica Expulse os Grandes Poluidores, a KBPO na sigla em inglês. O grupo analisa a participação dos lobistas nas COPs desde 2021.

Proporcionalmente, a presença de lobistas cresceu 12% em relação ao ano passado, na COP de Baku, no Azerbaijão, mesmo que o número total de representantes fósseis em 2024 tenha sido maior – a COP no Brasil tem 40.050 credenciados, contra 52.305 na COP29.

“É óbvio que você não pode resolver um problema dando poder a quem o causou. Ainda assim, três décadas e 30 COPs depois, mais de 1.500 lobistas de combustíveis fósseis circulam pelas negociações climáticas como se pertencessem a esse espaço. É revoltante ver sua influência se aprofundar ano após ano, zombando do processo e das comunidades que sofrem suas consequências”, dispara Jax Bongon, membro da Kick Big Polluters Out e integrante da organização IBON International nas Filipinas.

Segundo, ele, a participação das “próprias empresas que impulsionam esta crise” minam qualquer esperança de abordar verdadeiramente a emergência climática.

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“A COP30 promete ser uma ‘COP de Implementação’, mas até agora não conseguiu implementar nem mesmo uma exigência básica e há muito esperada de expulsar os Grandes Poluidores de uma conferência destinada a resolver a crise que criaram.”

No outro extremo, do lado de fora dos muros da COP30, indígenas protestam e reclamam participação na conferência que a princípio veio para o Brasil para se aproximar deles.

Por três dias consecutivos há manifestações na COP30. Primeiro, um grupo de manifestantes invadiu a Blue Zone. Após o ato, a ONU mandou uma carta para autoridades brasileiras avisando que as falhas de segurança que permitiram a invasão da Zona Azul na terça (11) não são aceitáveis.

No segundo epísodio, representantes do povo Munduruku, articulados pelo Movimento Ipereg Ayu, bloquearam na manhã desta sexta-feira (14) o acesso principal à Blue Zone. Os participantes e delegados da COP 30 precisaram esperar e filas se formaram no local.  A segurança no local foi reforçada, principalmente pelas Forças Armadas.

Poucas horas depois de normalidade na entrada, um grupo indígena voltou ao local e fechou o acesso principal da Blue Zone. Mas os participantes usaram a entrada alternativa.

Os indígenas reclamam o fim de grande obras de infraestrutura na Amazônia, como rodovias e ferrovias. Foram encaminhados para uma reunião com o presidente da Conferência, André Corrêa do Lago, e a ministra dos povos indígenas.

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Neste sábado, milhares de manifestantes marcharam hoje em Belém para pressionar os negociadores da COP30, a tomarem medidas urgentes contra o aquecimento global, como preservar a Amazônia e abandonar os combustíveis fósseis. Segundo organização, 30 mil pessoas de 65 países participam da Marcha Global dos Povos.

Outra demanda é a regularização de terras indígenas, uma solução para preservar ecossitemas comprovada cientificamente.

“Nossos povos, territórios e modos de vida tradicionais fazem parte da solução para combater a crise climática, mas, infelizmente, a Conferência das Partes não considera oficialmente os povos indígenas como negociadores. É por isso que temos pressionado há meses para que a demarcação das Terras Indígenas esteja no centro da agenda. Também nos mobilizaremos nas ruas e mostraremos que a mudança precisa acontecer agora”, afirma Dinamam Tuxá, coordenador executivo da a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

O Brasil possui atualmente 107 Terras Indígenas (TIs) prontas para serem demarcadas e aguardando a finalização do processo: 37 aguardam a portaria de declaração e 70 a portaria de homologação. A maioria das TIs que aguardam homologação, última etapa do processo, concentra-se no Mato Grosso do Sul e em São Paulo (10), seguidos pelo Amazonas (9) e pelo Pará (8).

Agência Nossa

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