Paralisação por atraso salarial expõe abandono de trabalhadores terceirizados e falhas graves na fiscalização do GDF
As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Distrito Federal enfrentam mais uma paralisação que compromete diretamente o atendimento à população. Recepcionistas da empresa Andrômeda, responsáveis pela linha de frente em unidades do Paranoá, Gama, Brazlândia, Vicente Pires e Riacho Fundo II, cruzaram os braços após 20 dias sem receber salário, um calote que deveria ter sido pago até o quinto dia útil de novembro.
A situação levou a uma onda de indignação entre trabalhadores e o sindicato da categoria, que denuncia o mesmo ciclo de abandono: empresas terceirizadas deixam de pagar, trabalhadores sofrem e o Governo do Distrito Federal (GDF) falha em fiscalizar. Muitos dos profissionais em greve são responsáveis pelo sustento de suas famílias e relatam contas atrasadas e dificuldades básicas para comprar alimentos e pagar transporte.
“Quem mantém as UPAs abertas está sendo tratado com desrespeito”
A presidenta do Sindiserviços-DF, Maria Isabel Caetano, reforçou que a greve não é uma escolha, mas uma consequência da negligência.
Segundo ela, é “um absurdo que trabalhadoras essenciais, que acolhem a população em momentos de urgência, estejam passando por humilhação para receber aquilo que é de direito”. A dirigente cobra que a empresa Andrômeda cumpra suas obrigações e que o governo Ibaneis Rocha finalmente exerça a fiscalização que os contratos exigem.
O sindicato exige imediata regularização dos pagamentos e punição para empresas que descumprem contratos. “Não aceitaremos que mais uma empresa explore os trabalhadores e as trabalhadoras, fazendo-os trabalhar sem salário”, afirmou.
Uma Greve Que Expõe Um Sistema em Colapso
A paralisação atual se soma a um histórico de greves motivadas por atrasos salariais, todas com o mesmo pano de fundo: fragilidade na gestão da saúde e falhas graves de fiscalização do GDF. A crise provocada pela Andrômeda repete o que ocorreu com a empresa Ipanema em novembro de 2024, quando profissionais de hospitais e UBSs também pararam após sucessivos calotes.
Naquela ocasião, mesmo após repasses integrais feitos pelo governo, a empresa não pagou salários e benefícios. A promessa do GDF de substituí-la nunca se concretizou, e a greve só foi encerrada após uma liminar obrigar o governo a quitar diretamente os débitos com os trabalhadores.
Também em novembro de 2024, funcionários do Hospital Regional de Taguatinga paralisaram as atividades por falta de vale-transporte e vale-refeição, evidenciando um problema que se repete unidade após unidade.
Greve Revela Falhas Estruturais do Sistema
Os episódios de paralisação não são desconectados. Eles refletem problemas crônicos de gestão da saúde pública, agravados por falhas contratuais e operacionais. Relatórios internos da SES/DF mostram que, mesmo com recursos sendo repassados, unidades administradas pelo IGESDF apresentam:
- Déficit de profissionais, incluindo médicos e fisioterapeutas.
- Baixa qualidade assistencial, com classificações “E” em diversos meses.
- Ausência de comissões obrigatórias, como a Comissão de Ética Médica.
- Divergências técnicas sobre metas e glosas, que comprometem a avaliação e a execução contratual.
Essas falhas estruturais contribuem diretamente para o cenário que explode nas paralisações: contratos mal fiscalizados, empresas irregulares e trabalhadores abandonados.






















