A família Razuk criou empresa falsa, que existem só “no papel”, para viabilizar a concorrência da organização criminosa no processo licitatório da LoteSul. A loteria estadual previa contrato de R$ 51 milhões para o empreendimento vencedor.
Segundo investigações do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), os apontados como ‘chefes da organização’, Roberto Razuk (patriarca) e Roberto Razuk Filho (deputado Neno Razuk) estariam “perseguindo a licitação milionária”.
“Inclusive com questionamentos acerca da referida licitação junto a justiça, tendo Roberto arcado pessoalmente com as custas do processo em março do corrente ano”, aponta documento da investigação.
O Jornal Midiamax obteve em primeira mão a decisão da juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias de Campo Grande.
Sócio
Sócio de Jorge Razuk, o empresário Sérgio Donizete Balthazar é sócio-administrador da empresa ‘falsa’, a Criativa Technology Ltda. Balthazar é amigo da família Razuk e teve apoio do patriarca, Roberto, para entrar na disputa pelo controle de loteria estadual.
“Apenas uma empresa fictícia, existente só “no papel”, tão somente para viabilizar a concorrência da organização criminosa, na referida licitação milionária da LOTESUL”, aponta o documento.
Assim, o documento aponta “ausência de estrutura física ou de pessoal que justificasse a concorrência em licitação tão valiosa como a LOTESUL”. Além disso, houve Roberto Razuk financiou as custas processuais.
Balthazar e Razuk estão entre os 20 presos na quarta fase da Operação Successione, do Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul). Razuk chegou a ser preso, mas conseguiu relaxamento para prisão domiciliar.
Disputa pela loteria
Um ano depois de perder a disputa na Lottopar (Loterias do Estado do Paraná), Roberto Razuk apoiou o empresário Sérgio Donizete Balthazar, dono da empresa Criativa Technology, na disputa pela licitação da Lotesul (Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul). Então, ele pagou pela abertura de processo judicial de Balthazar para barrar a disputa.
A Criativa foi uma das empresas que questionou o edital de R$ 51,4 milhões, em março de 2025, alegando direcionamento, ou seja, a previsão de exigências específicas que poucas concorrentes poderiam cumprir. Porém, a Justiça negou o pedido de Balthazar.
A licitação da Lotesul acabou suspensa pouco depois. Contudo, o Governo do Estado ainda prepara novo edital para a loteria.

Organização criminosa
A organização criminosa baseada em Dourados e que explorava o jogo do bicho em Mato Grosso do Sul tinha planos de expandir a operação ilegal. Assim, a denúncia levou à prisão 20 pessoas investigadas na quarta fase da Operação Successione.
Do grupo de presos, apenas Roberto Razuk (84 anos) conseguiu prisão domiciliar. Então, na terça-feira (25), o Gaeco, com o apoio da PMMS (Polícia Militar de MS), cumpriu 27 mandados de busca e apreensão e 20 de prisão. Não há informações sobre possível prisão do advogado Rhiad Abdulahad.
Além disso, na decisão os promotores voltam a citar o deputado estadual Neno Razuk (PL) como líder do esquema e, ainda, em busca de expandir os “negócios” para além da região de Dourados.
Pai de Neno, o empresário e ex-deputado federal Roberto Razuk ainda exerce influência na operação ilegal. Nos anos 1990, Roberto recebeu de Fahd Jamil — preso na Operação Omertà, contra o jogo do bicho em Campo Grande — o comando da organização na região sul do Estado.
Veja a lista completa de alvos:
- Roberto Razuk, empresário e ex-deputado estadual
- Rafael Godoy Razuk, filho de Roberto
- Jorge Razuk Neto, filho de Roberto
- Sérgio Donizete Balthazar, empresário
- Flávio Henrique Espíndola Figueiredo
- Jonathan Gimenez Grance (“Cabeça”), empresário
- Samuel Ozório Júnior, comerciante
- Odair da Silva Machado (“Gaúcho”)
- Gerson Chahuan Tobji
- Marco Aurélio Horta, chefe de gabinete de Neno Razuk
- Anderson Lima Gonçalves, sargento da Polícia Militar de MS
- Paulo Roberto Franco Ferreira
- Anderson Alberto Gaúna
- Willian Ribeiro de Oliveira, empresário
- Marcelo Tadeu Cabral, empresário e suplente de vereador em Corumbá
- Franklin Gandra Belga
- Jean Cardoso Cavalini
- Paulo do Carmo Sgrinholi
- Willian Augusto Lopes Sgrinholi
- Rhiad Abdulahad, advogado
Investigado nega ‘chefiar quadrilha’
Em nota ao Midiamax, o advogado de defesa de Neno Razuk, João Arnar, disse que o deputado “nega peremptoriamente todos os atos de imputação dessa natureza. Nega ser membro de quadrilha, nega chefiar quadrilha. E esses atos não estão provados e não há decisão nenhuma judicial sobre isso”.
Ademais, pontuou que “não há sentença sobre isso. Então, impera em favor dele o princípio da presunção de não culpabilidade e isso cumprido na carta magna. E não há qualquer sentença a confirmar tal versão”. Por fim, disse que a versão da acusação é “contestada pela defesa e demonstrada ao contrário pela defesa no curso da ação principal, que ainda tende de sentença”.
Quarta fase da Operação Successione
Na terça-feira, 25 de novembro de 2025, o Gaeco deflagrou a quarta fase da Operação Successione, contra uma organização criminosa que explora jogos ilegais.
Assim, cumpriram 20 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão em MS. As ações foram nos municípios de Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã. Além disso, também identificou alvos no Paraná, em Goiás e no Rio Grande do Sul.
Em dezembro de 2023, o Gaeco identificou que o grupo tentou assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande. Isso aconteceu após a derrocada da família Name na Operação Omertà, em dezembro de 2019.
A organização criminosa contava com policiais militares como ‘gerentes’ do grupo que controlava o jogo do bicho no Estado.
Então, cumpriram mandatos nos endereços dos pais de Neno, do chefe de gabinete dele e de Rhiad.
Chefias do bicho
Roberto Razuk foi apontado pelo Gaeco como antigo chefe da operação do jogo do bicho na região sul do Estado.
Até a década de 1990, o esquema em todo o Mato Grosso do Sul era liderado por Fahd Jamil, também alvo da Successione em fases anteriores. Contudo, Fahd deixou o comando da organização criminosa e dividiu a operação em duas frentes: a região de Campo Grande ficou com Jamil Name e a região de Dourados e Ponta Porã passou para Roberto Razuk.
O antigo líder ficou distante, mas manteve influência, como mostrou reportagem da revista Piauí, em dezembro de 2024.






















