A vice-governadora do Distrito Federal e pré-candidata ao Palácio do Buriti, Celina Leão (PP), foi alvo de vaias intensas durante o espetáculo clássico O Quebra-Nozes, realizado na noite desta sexta-feira (19), no Ginásio Nilson Nelson. O episódio, ocorrido em um evento de caráter cultural e familiar, revelou um evidente desgaste político da gestora junto a parte da população.
Convidada a subir ao palco para se pronunciar antes da apresentação, Celina foi recebida com manifestações sonoras de reprovação que se intensificaram ao longo de sua fala. As vaias, vindas de diferentes setores da plateia, interromperam o discurso e deixaram claro o desconforto do público com a presença da vice-governadora em um espaço que deveria ser dedicado exclusivamente à arte.
O evento reuniu 27 profissionais do Corpo de Baile do Distrito Federal, 36 crianças da Escola de Formação de Bailarinos e a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro. Planejado como uma celebração natalina e cultural, o espetáculo acabou marcado por um episódio de contestação política que levantou críticas à tentativa de associar a imagem do governo a produções artísticas.
Para especialistas e integrantes do meio cultural, o episódio evidencia um erro recorrente de gestores públicos ao utilizarem eventos culturais como palanque político. “O público vai para assistir arte, não discursos oficiais. Quando isso acontece, a reação tende a ser negativa”, avalia um produtor cultural ouvido pela reportagem.
As vaias também refletem insatisfação acumulada com a atuação do atual governo do DF, do qual Celina Leão é uma das principais figuras. Críticas à gestão, a alianças políticas e à antecipação do discurso eleitoral têm sido frequentes nas redes sociais e agora se manifestaram de forma pública e presencial.
Até o fechamento desta matéria, a vice-governadora não havia se pronunciado sobre o ocorrido. O silêncio contrasta com a intensidade da reação do público e reforça a leitura de que o episódio não foi isolado, mas sim sintoma de um distanciamento crescente entre o governo e a população.






















